Procurando eleitores
Arquivo FolhaCIDADANIAVotar é a realização fundamental para o exercício da cidadaniaEleitores que não compareceram para votar desde 1996 e que não justificaram as faltas podem perder seus títulos. No Brasil são pouco mais de 6 milhões, sendo que no Paraná o total é pouco inferior a 30 mil. Destes, cerca de 8 mil são de Londrina, conforme dados divulgados pela Justiça Eleitoral.
De agosto até outubro, os eleitores sumidos poderão reaparecer para regularizar a situação. Claro, deve-se levar em conta que alguns podem ter morrido, outros mudaram de Estado e talvez tenham até se alistado outra vez no novo domicílio. De qualquer modo é boa esta ação da Justiça Eleitoral no sentido de regularizar as coisas, até como um modo de evitar o eleitorado fantasma e deixar as coisas claras e definidas.
Seguramente, boa parte destes quase 8 mil eleitores de Londrina não vai reaparecer. Para compensar, porém, espera-se que todos quanto atinjam a idade de participar se alistem, não apenas porque há exigências para a vida escolar mas pela percepção mesmo da importância da participação. Tirando 8 mil, ainda temos 277 mil eleitores, total que pode subir, representando o aumento populacional e, principalmente, a maior conscientização que as pessoas estão obtendo a respeito de seus direitos e deveres. Afinal, votar é o primeiro e mais sagrado dos direitos que a cidadania confere, ponto de partida para todos os demais.

Combustíveis
Recebo do dono de um posto de combustível mensagem em que ele põe em dúvida a lisura dos que estão vendendo álcool e gasolina a preços menores. Assinala que isto só seria possível com sonegação de impostos ou adulteração do produto.
Uma das primeiras preocupações que qualquer um tem diante da questão é precisamente esta. Todavia, pelo menos em relação aos postos que citei e que estão, mesmo com a nova alta, vendendo álcool mais barato, pelo que sei não há nem sonegação nem adulteração. O que existe é o espírito de iniciativa e a percepção de que a mentalidade norte-americana em negócios é mesmo a melhor.
Explico: o norte-americano prefere ganhar pouco no varejo para vender mais e ter assim maior lucro. Esta é a mentalidade dos que vendem álcool e gasolina mais barato: ganham pouco no litro mas se recuperam no volume.
Já a maioria, infelizmente, neste como em outros campos, continua com a mentalidade brasileira: quer ganhar demais no varejo. Acaba vendendo pouco.

Rua Pernambuco
Um amigo fez o desafio: sugeriu que eu passasse pela Rua Pernambuco, em especial no horário de maior movimento, entre a Sergipe e a JK. E afirmou que o tempo mínimo que se gasta para fazer o trajeto é de 15 minutos. Quer dizer, fica mais fácil andar a pé.
O problema, segundo o amigo, é a falta de sincronismo dos semáforos (tem praticamente um em cada esquina). O motorista anda e para a cada quarteirão.
Este é, sem dúvida, um dos muitos problemas do trânsito maluco de Londrina. Talvez a sincronização dos semáforos ajudasse, mas é preciso pensar que não parece possível sincronizar tudo. Quer dizer, se se fizer isso na Pernambuco, não seria possível fazê-lo nas transversais. Alguém vai sempre ficar no prejuízo.
Ademais, a gente tem de lembrar que o maior problema do trânsito londrinense é o do total de carros, cada vez maior. Talvez uma racionalização do uso pudesse reduzir alguns dos problemas. Explico: a simples observação revela que a quase totalidade dos carros circula com uma pessoa só, o motorista. Transporte solidário poderia melhorar um pouco a coisa.

Medicina: balanço controvertido
Nunca antes na história da Humanidade houve uma época tão fecunda em descobertas e progressos para a saúde do homem como neste século 20, em que a esperança de vida dos ocidentais subiu de 45 para 77 anos. Paralelamente, o século trouxe também enormes preocupações e obrigou o homem a voltar à modéstia, já que junto com esses grandes progressos em numerosos campos a medicina se encontra paralisada em outros.
O tratamento do câncer mudou, mas os medicamentos utilizados para enfrentá-lo são aproximadamente os mesmos de há vinte anos. Igualmente, não tratamos agora melhor do que antes a arteriosclerose, nem as enfermidades degenerativas, como o mal de Alzheimer, nem praticamente nenhuma enfermidade neurológica. E a imensa maioria das enfermidades genéticas continua sem ter tratamento.
Além disso, as enfermidades infecciosas, como a tuberculose, que em um certo tempo se acreditou definitivamente vencida, voltam a se estender. E as enfermidades viróticas são tanto mais preocupantes quando há novas que vêm juntar-se às já conhecidas.
Em matéria de infecções hospitalares, o balanço também é preocupante: as infecções pós-operatórias continuam matando entre 30% e 40% dos pacientes afetados por formas graves.

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