Miséria real
Arquivo FolhaREALIDADEFavelas, poluição, abandono, um quadro real da triste situação brasileiraProvocou muita indignação, nos meios oficiais, a informação segundo a qual o Brasil sofreu forte queda no ranking da Organização das Nações Unidas que mede o desenvolvimento social dos países, encontrando-se, agora, em 79º lugar. Alguns informaram que a queda decorreu de mudança nos critérios, adiantando que o Brasil até que evoluiu em determinados fatores.
A verdade porém é que só reclama quem não acompanha a realidade brasileira, aqueles que vivem na ‘ilha da fantasia’ que é Brasília, ou mesmo nas ilhotas de poder nos Estados. A miséria no Brasil é real (sem trocadilhos com a moeda) e não pode ser escamoteada. Esta é a situação brasileira, figurando entre os países em que pior é a situação de seus cidadãos.
O que se tem de fazer não é discutir critérios da ONU, é trabalhar para mudar isto, para resgatar os milhões que passam fome, que moram em condições desumanas, que sobrevivem de migalhas. Há, sem dúvida, alguns privilegiados no País. O que torna ainda mais grave esta realidade, a da miséria, da doença, do abandono, males que precisam ser enfrentados com disposição e sem demagogia. A posição do Brasil, divulgada pela ONU, é vergonhosa, nos coloca diante da terrível realidade em que vivem milhões de irmãos brasileiros. E reclama ação, da cidadania e das autoridades, e não desculpas.

Insegurança
Boa a notícia, divulgada ontem, de que a Polícia Militar está se movimentando para melhorar a segurança na cidade. Ontem, a questão foi comentada aqui e gerou um grande retorno. Um senhor, aposentado, contou que está apavorado de andar pelas ruas. Disse que foi vítima duas vezes, nos últimos dias, do famoso golpe em que alguém lhe dá um tranco por trás enquanto outra pessoa enfia a mão no seu bolso. Numa das vezes, tiraram 100 reais de seu bolso. Ele, agora, anda sem dinheiro.
Contaram-me também da ação de grupos, quase sempre de menores, que atacam as pessoas. Usam estiletes, levam dinheiro, relógio, cheques. E abusam da violência. Pior: à luz do dia e em qualquer parte da cidade.
Na noite de terça-feira, fui informado sobre uma tentativa de assalto, frustrada, na região do aeroporto. Quem evitou a fuga dos ladrões com o produto do roubo foram jovens corajosos que se lançaram em perseguição e, pelo menos, recuperaram o que havia sido levado.
A PM informa que está aumentando o contingente nas ruas. É bom e necessário.

Combustíveis
Esta semana informei sobre dois postos de combustível que estão vendendo álcool a 47 centavos o litro, o preço mais baixo da cidade. Ontem, o dono de um desses postos ligou para informar que estava sendo pressionado de modo até violento para aumentar o preço. Sugeri a ele que levasse o caso à Promotoria da Defesa do Consumidor.
Quando o governo abriu o mercado de combustíveis e acabou com o tabelamento, a intenção era a de fomentar a concorrência entre os postos. Infelizmente, sempre existem os que não querem isso, os que preferem explorar o consumidor. Há algum tempo, houve até investigações a respeito de denúncias sobre a tentativa de formação de cartel no setor dos combustíveis para manter os preços elevados. Não deu em nada, mas a concorrência se manteve.
É importante que isso continue assim, com liberdade para que o comércio estabeleça preços e crie competição. O consumidor deve procurar o mais barato. E a autoridade precisa garantir o direito de quem quer vender mais em conta.

Avanço da Internet
Cem computadores estavam conectados à Internet em 1988, enquanto que, em 1998, foram 100 milhões, indicou o informe mundial 1999 sobre desenvolvimento humano.
O informe indica que ‘‘está nascendo uma nova ruptura’’. ‘‘As redes mundiais unem os que têm meios e, silenciosamente, quase imperceptivelmente, excluem todos os demais’’.
Com 19% da população mundial, os países da OCDE contam com 91% dos usuários da Internet.
‘‘Homem, jovem, branco e com estudo’’: esse é o perfil do internauta.
O acesso à Internet é feito principalmente por pessoas com ensino e com dinheiro. Trinta por cento pelo menos têm diploma universitário. Na Grã-Bretanha, 50% dos internautas têm pelo menos um diploma.
O preço de um computador equivale em média a oito anos de salário para um trabalhador de Bangladesh, e pelo menos um mês de salário para um norte-americano.
Enquanto foram precisos 38 anos entre o lançamento do rádio e a superação da barreira de 50 milhões de ouvintes, 13 anos para a televisão e 16 anos para o computador pessoal, foram necessários apenas quatro anos para que a Internet ultrapassasse a barreira dos 50 milhões de usuários, segundo o estudo do The Economist, citado pelo informe do PNUD.

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