Praça Londrina (Estélio Feldman)
Praça Londrina
Estélio Feldman
Nenhuma morte no trânsito
Arquivo FolhaConfusãoMuitos carros, muita pressa, algumas das causas dos acidentes em LondrinaEncaramos o trânsito com um fatalismo inaceitável. Quando alguém ousa sugerir uma campanha do tipo zero morte no trânsito corre o rísco de ser considerada alienada. Assumo o risco, por entender que a aceitação da inevitabilidade de mortes no trânsito é, por si, errada.
É bem mais difícil pensar em um trânsito sem acidentes. Todavia, é mais que certo que se houver mais consciência, atenção e cuidado, os acidentes serão menos graves. Pode haver danos, ferimentos, mas sem mortes.
Normalmente, defende-se uma idéia menos drástica: reduzir o total de óbitos. Ocorre que não existe um número aceitável de mortes no trânsito. Uma vítima é demais. É uma vida, insubstituível.
Ademais, o desafio que se coloca aqui está ligado apenas à área urbana. Londrina tem registrado muitos acidentes e um inaceitável número de mortos. Infelizmente, as autoridades desativaram as lombadas eletrônicas que vinham reduzindo o total de acidentes onde funcionavam. O desafio fica maior para o motorista e o motociclista. O que se necessita é de conscientização, de mais educação no trânsito. É preciso respeito pela sinalização, pela legislação, o que inclui, sem dúvida, que os veículos trafeguem com velocidade sempre até o limite permitido.
Multas
Para muitos, esta questão do trânsito passa pelas multas. Com o atual Código Brasileiro de Trânsito, as multas, que já eram pesadas na legislação anterior, tornaram-se mais elevadas. Naturalmente, isto ajuda, mas não resolve. Principalmente quando se percebe que a lei acabou fazendo surgir uma mentalidade de multa no lugar da disposição de melhorar o trânsito.
Multas não podem ser consideradas arrecadação pelo poder público. Representam apenas parte da questão. O que se precisa é de sinalização eficiente, policiamento consciente e educação dos motoristas. Dizer que muitos só entendem a lei do bolso é fácil demais. Pior é que esta idéia acabou atingindo quase todos os setores envolvidos no assunto. A denúncia sobre a indústria das multas não pode ser descartada porque dá para perceber, até pela briga em torno da arrecadação delas, que existe alguma coisa séria no setor.
A questão é perceber que o investimento em segurança no trânsito não deve, necessariamente, ser ressarcido pelas multas. Menos acidentes representam um lucro maior para a coletividade, principalmente quando se leva em conta o custo (sem falar em termos emocionais) das mortes ocorridas no trânsito.
Blecaute
Brasília ficou sem luz, no domingo, por cerca de uma hora. O blecaute também atingiu Goiânia. Embora não tenha tido o efeito do famoso apagão de março, a verdade é que este tipo de ocorrência preocupa. O ministro das Minas e Energia, Rodolfo Tourinho Neto, anunciou recentemente, que o governo já está adotando medidas para evitar blecaute de energia no país. Essa medidas estão sendo adotadas com aplicação de recursos superiores a U$ 8 milhões e objetivam a operacionalização de equipamentos que permitem o maior controle no tráfego de energia no País. Em outra ocasião, porém, o próprio ministro destacou que a redução gradativa dos níveis de segurança e dos padrões de manutenção do setor elétrico brasileiro contribuiu com a extensão do blecaute ocorrido em 11 de março. Esse conjunto de fatores teve influência no distúrbio, afirmou Tourinho.
Naturalmente, vão dizer que o que aconteceu em Brasília foi um acidente. O que ocorre é que, conforme o antigo ditado, quando a gente vê as barbas do vizinho pegando fogo, põe as próprias de molho. A experiência do último apagão foi traumática, mesmo no Paraná, que sofreu menos que outros Estados. O que se reclama é que os responsáveis evitem a repetição de tais ocorrências.
Avanço contra diabetes
Cientistas identificaram em cobaias uma proteína que parece estar na origem da diabetes do tipo 1, uma doença que afeta cerca de 180 milhões de pessoas no mundo, informa a revista Science. A diabetes do tipo 1 é uma doença que se desencadeia quando o sistema imunológico do organismo ataca as células do pâncreas que produzem insulina. Privadas dessa substância, as células tornam-se, então, incapazes de absorver o açúcar do sangue, indispensável para alimentar sua atividade.
Nos testes realizados com ratos, o médico Ji-Won Yoon, da Universidade de Calgary (Canadá) e seus colegas sul-coreanos e americanos isolaram uma proteína que aparecia nas células produtoras de insulina do pâncreas, identificada com três letras -GAD-, e que parecia servir de alvo ao sistema imunológico.
Graças à manipulação genética, os cientistas produziram uma série de ratos cujas células do pâncreas haviam sido privadas desta proteína GAD. Constataram então que o sistema imunológico dos ratos - privados de objetivo - não atacavam as células produtoras de insulina.
As células do sistema imunológico não podem provocar diabetes nos ratos na ausência destas proteínas GAD, destacam os autores do estudo. Atuar nesta proteína poderia ter então um valor terapêutico na diabetes do tipo 1.





