Obras e falta de respeito
Paulo WolfgangDificuldadeAs obras realizadas na rua Pará provocaram muita dificuldade ao povoNinguém discute a necessidade e a importância das obras públicas, mesmo quando provocam inconvenientes temporários para população. Mas é fora de dúvida que mesmo na realização de obras é fundamental que haja respeito à comunidade. E não foi o que aconteceu com as obras que estão se realizando (quase no fim, pelo que se pôde ver, ontem) em uma grande extensão da Rua Pará. Recebi muitas reclamações, principalmente por causa da sujeira provocada e pelos problemas causados. Mas, principalmente, pela evidente falta de respeito ao povo.
Placas simples, como algumas que já vimos por aí, pedindo desculpas pelos transtornos, mas informando que ‘estamos trabalhando para melhorar a vida da população’, ajudam. Mostram sensibilidade. Avisos sobre as obras, também. A gente sabe que muitas vezes quem faz as obras não são as empresas públicas, mas empreiteiras que ganharam concorrência. Entretanto, como estão executando obras públicas devem ter o cuidado de alertar, prevenir e ter cuidado com o cidadão.
Não se viu isto. Buracos, sujeira, ruas fechadas, caminhões estacionados em locais movimentados, atravancando o trânsito, tudo sem qualquer atitude que mostrasse respeito pela população. As coisas estão mudando, o senso de cidadania cresce entre nós. E quem realiza obras públicas precisa ter consciência disto.


Basquete
O Moringão deve receber, hoje, uma enorme torcida para a quarta partida decisiva entre Londrina e o time de Oscar, o Mackenzie/Microcamp. O Grêmio, que foi esbulhado, pelo que dizem, na terceira partida, precisa ganhar para forçar o quinto jogo. É uma situação complicada. Mas, como venceu a primeira, o quinteto local pode ganhar de novo.
A torcida vai ter papel importante, como sempre tem acontecido. A única coisa que se espera é que evite atitudes que possam gerar faltas técnicas. Se, como dizem, fomos prejudicados pela arbitragem lá em São Paulo, aqui a coisa pode se repetir. Então, é torcer, vibrar, reclamar mas não dar justificativa para que os árbitros prejudiquem o time que, mesmo perdendo hoje ou no quinto jogo fez o suficiente para nos dar muito orgulho.
Capítulo especial do jogo, sem dúvida, deve ser Oscar, claro. O cestinha do certame, recordista olímpico, está abusando um pouco. No último jogo andou se impondo aos árbitros que, pelo visto, parecem ter medo dele. Ele deu murro na mesa, gritou, barbarizou. Falta é um juiz corajoso que puna as atitudes dele com faltas técnicas. Quem sabe a gente vê isto aqui. Seja como for, é possível confiar no time local que pode não só empatar de novo a série como tem condições até de ir além.


Miséria
Horrorizada, uma leitora ligou aqui para contar uma cena que testemunhou, esta semana, na Rua Bahia. Viu um mendigo arrastando pelo rabo um cachorro morto. Estranhou a cena e mais estarrecida ficou quando lhe disseram que o mendigo estava levando o cachorro morto para comer.
Para a leitora, que diz que se sentiu mal ante a informação (o que também aconteceu comigo, quando ela contou e o que, temo, possa estar ocorrendo com muitos leitores, agora) e lembrou que isto nos deveria servir de alerta para a nossa realidade. ‘A gente ouve falar em campanhas para ajudar a minorar a fome dos nordestinos, o que é justo, mas aqui temos também fome e miséria e, entendo, deveríamos nos unir para enfrentar o drama que está aí a nossa volta’.
É a pura verdade. A gente se emociona com cenas, na maior parte das vezes vistas pela TV, da miséria no Nordeste, da dor das vítimas da luta em Kosovo, mas não percebe o mendigo que vai comer um cachorro morto ou as crianças de rua que pedem um troco para o ‘tio’ que passa de carro, ou os índios que vivem uma triste situação nesta terra que foi deles, ou os que fenecem em favelas.
Penso que precisamos nos voltar mais para a miséria que nos cerca, em toda parte, e unir esforços para combatê-la.


Eutanásia em debate
A condenação, nos Estados Unidos, no meio deste mês, do doutor Jack Kevorkian, o chamado ‘doutor Morte’, a dez anos de prisão por ter matado, a pedido do paciente, um doente incurável, acabou reativando o debate sobre a eutanásia no mundo. Apesar de alguns países admitirem implicitamente o ‘‘suicídio assistido’’, muitos outros se negam a regulamentar a ‘‘eutanásia ativa’’, que continua sendo, no geral, um tabu.
Nos Estados Unidos, a lei federal proíbe a eutanásia. Em novembro passado, os eleitores de Michigan se opuseram mediante referendo à legalização do ‘‘suicídio assistido’’. Oregon é o único estado que autoriza (desde 1994) esta prática para os doentes declarados em fase terminal e que o pedem formalmente. No entanto, em abril de 1996, o tribunal federal de apelação de Nova York, competente também em Vermont e Connecticut, autorizou a eutanásia médica.
Símbolo da luta pela legislação do ‘‘suicídio assistido medicamente’’, o dr. Kevorkian, 70 anos, afirma que desde 1990 ajudou 130 pessoas a morrer.
Na França, a eutanásia é ilegal, mas o código penal distingue entre eutanásia ativa (o fato de provocar diretamente a morte, considerado homicídio) e a eutanásia passiva (a ‘‘abstenção terapêutica’’, considerada delito de ‘‘negativa de auxílio’’).

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