Dia do Índio, Dia de Tiradentes, Dia de Brasília, Dia da Descoberta. Um feriado apenas, hoje, celebrando o patrono cívico do Brasil, Tiradentes, mas uma série de datas e eventos marcantes, em uma semana só.
Quando a gente acompanha todos os eventos que começam a marcar os 500 anos do descobrimento do Brasil e quando vê a situação dramática dos índios brasileiros, que não vão festejar o quinto centenário porque estavam aqui quando os descobridores chegaram - eram os donos da terra e ficaram quase sem nada -, fica pensando nas injustiças e no grande débito que temos, os descendentes dos descobridores ou os descendentes dos imigrantes que vieram ao longo destes 500 anos, para com eles.
O Dia do Índio constitui, sem dúvida, um pequeno evento nesta semana cheia de celebrações. Mas é importante marcá-lo e insistir na necessidade de se realizar o resgate de cidadania também em relação aos primeiros brasileiros. Este País tão rico, esta terra dadivosa em que se plantando tudo dá, como já assinalou Pero Vaz Caminha na carta em que anunciava a descoberta, tem débitos enormes para com muitos dos que construíram sua história, a começar pelos índios que receberam tão bem os portugueses. Dar-lhes condições mais dignas de vida é o mínimo que podemos fazer.


Tiradentes
Hoje, porém, o dia é de Tiradentes, o alferes Joaquim José da Silva Xavier, que assumiu todas as culpas e foi enforcado por ter tido o sonho da liberdade. Somos um país de poucos heróis, é o que sempre dizem. Em verdade, não tem havido muito esforço no sentido de destacar nossos heróis. Digo sempre que nas aulas de história, somos mostrados como um país em que as melhores coisas surgiram como presentes e não como conquistas. A independência do Brasil foi um presente do príncipe regente, a abolição da princesa regente, a república de um marechal, até a democracia que voltou a imperar após 21 anos de ditadura é mostrada como uma doação dos militares que cansaram de mandar. Neste quadro, Tiradentes avulta quase sozinho. Mas a gente não pode esquecer dos outros inconfidentes, de Cláudio Manoel da Costa, de Tomás Antônio Gonzaga, entre tantos.
E não pode, também, esquecer de muitos outros que lutaram para construir esta Nação. Se nos livros de história encontramos poucos heróis, vamos encontrá-los, hoje, como através dos tempos, por todo este imenso País, lutando para construir uma cidadania que, neste final de século, está florescendo. Exaltando a memória de Tiradentes, lembramos a todos quantos nos legaram esta vida, esta liberdade.


Brasília
Uma das poucas vantagens de ser idoso: lembro-me que no dia 21 de abril de 1960, exatamente no primeiro minuto daquele dia, no microfone aberto da Rádio Paiquerê, anunciei: ‘21 de abril de 1960, Brasil, Capital Brasília’. Foi o dia da consolidação de um sonho, da realização de um projeto que era quase uma obrigação. Pois a própria Constituição brasileira havia definido que o Brasil deveria construir uma capital na região central.
Foi uma revolução, uma mudança tão tremenda que quem a vivenciou quase nem chegou a entender toda a grandeza daquela época. Juscelino Kubitschek, o visionário, o maluco (conforme a idéia de cada um a respeito dele) não apenas construiu uma nova capital, criou um novo Brasil.
Hoje, Brasília comemora 39 anos de vida. Incrivelmente nova, cheia de problemas, como quase todas as cidades brasileiras, nossa capital representa, porém, um fato fundamental nesta nossa história. Assim como podemos (e devemos) exaltar JK, o grande paladino, temos de rememorar o trabalho incansável dos candangos, homens e mulheres que saíram de todas as partes do País, especialmente do Nordeste, para construir no Planalto Central não uma cidade mas uma nova era na vida deste jovem Brasil.


A descoberta

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