Sexta-feira Santa, para os cristãos, é dia de tristeza, evocativo do Drama do Calvário, com a morte de Jesus. Entretanto, o sentido maior da celebração é o do sacrifício do Cordeiro de Deus, inocente, sem pecados, e a certeza gloriosa da Ressurreição que acontece no domingo de Páscoa.
O apóstolo Paulo já disse: Se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa fé. Eis, como se afirma nas missas, o Mistério da Fé, o anúncio da Morte e a celebração da Ressurreição.
Hoje, em Londrina, como em quase todo o País, além das celebrações litúrgicas, que são realizadas não apenas pelos católicos mas por todos os cristãos, haverá várias representações da Paixão. É um modo concreto de participação e sensibilização porque ajuda no processo fundamental da fé que é o da meditação sobre os fatos que, sem dúvida, marcam de novo fundamental, a História da Salvação, conforme a crença cristã.
Participar das celebrações litúrgicas, conforme a crença de cada um, assistir às representações que se fazem pela cidade ou até mesmo rever na TV filmes evocativos daqueles acontecimentos é um modo de repensar a vida. Mais importante porém é buscar na celebração, qualquer que seja, o seu sentido maior de doação e Amor de um Deus que se liga intimamente à vida de cada um de nós, seus filhos.


A Páscoa
Depois da dor da morte, o terror de um final absolutamente imprevisível para aqueles que seguiam Jesus, vem a Páscoa da Ressurreição.
A Páscoa, vocês sabem, é uma festa judáica. Jesus, como judeu, celebrou a Páscoa, com seus discípulos, antes de ser entregue aos homens para cumprir a etapa dolorosa de Sua vida terrena. Para os judeus, a Páscoa era a festa da libertação da escravidão no Egito. Para os cristãos, constitui o marco da libertação de todos os homens, através da morte e Ressurreição do Filho de Deus.
Nos tempos que correm, não gostamos muito de pensar na morte, preferindo sempre a parte festiva. Mas uma não se completa sem a outra. Na Ceia de Páscoa que os judeus fazem todos os anos (este ano, ela foi realizada na quarta-feira) até o que se come tem sentido. Entre os pratos servidos, há ervas amargas ‘‘para lembrar da amarga escravidão no Egito’’. E há também restrições alimentares, durante uma semana. Quem não come as ervas amargas, não vai encontrar sentido depois nas iguarias que completam a ceia, nem em toda a celebração. Assim, também, no cristianismo: é preciso rememorar o Drama da Paixão e da Morte para, depois, encontrar o sentido da Ressurreição e da vida.


Uma sequência
A História da Salvação é uma sequência. Não haveria Páscoa para os judeus, se não tivesse havido a escravidão no Egito. A morte dos inocentes, na perseguição de Herodes, com o fim de destruir o Messias que ele sabia tinha nascido naquele tempo, lembra a decisão do Faraó de mandar matar todos os meninos nascidos de mães judias, quando Moisés nasceu. Não conseguimos entender coisas assim, inocentes sendo mortos, um povo escravizado, um Justo sendo crucificado em meio a ladrões, sofrendo o mais vil dos castigos que se impunha a alguém naquela época. É difícil entender até este Jesus nascido em uma manjedoura, na simplicidade de uma Família humilde.
Nesta época, mais até do que no Natal, quando há o sentido da festa do Nascimento, é válida a meditação em torno de todos estes acontecimentos que conduziram o povo judeu ao Egito, sendo recebido com honras, para ser depois escravizado, culminando com Moisés e a Páscoa. E, depois, numa sequência, pensar em todos os eventos que cercaram a vinda de Jesus, Seu Nascimento, Sua Pregação, Sua Morte e, naturalmente, Sua Ressurreição. A Semana Santa e a Páscoa oferecem excelentes oportunidades para uma reavaliação da vida de cada um diante do Amor do Pai.


Viajando com a Sagrada Família
O ministério egípcio de Turismo, com a colaboração da Igreja Copta Ortodoxa, publicou um livro que traça o itinerário percorrido pela Sagrada Família no Egito, dentro das celebrações do ano 2000.
Os especialistas tentaram tornar esse itinerário o mais acessível possível, em particular no que diz respeito à infra-estrutura hoteleira, para os inúmeros turistas que, no próximo ano, seguirão os passos da narração do Novo Testamento através de Israel, dos territórios palestinos, da Jordânia, Síria e Egito.
Segundo os Evangelhos, o menino Jesus, Maria e José saíram de Belém para o Egito, onde passaram mais de quatro anos para fugir da matança de crianças ordenada pelo rei Herodes. Dessa forma, percorreram 1.240 km no lombo de um burrico e atravessaram o Nilo.
A Igreja Copta afirma que a Sagrada Família chegou ao Egito através de Rafah, cidade fronteiriça no deserto do Sinai, no dia 24 do mês copto de Bashans, que corresponde ao dia 1º de junho. A família realizou 24 etapas através do Egito e deixou marcas em vários lugares.
Uma etapa-chave do itinerário da Sagrada Família é a igreja de São Sérgio, no bairro velho do Cairo, construída sobre a antiga bacia onde se acredita que Jesus, Maria e José se refugiaram. Junto a ela, se encontra a igreja adjunta dedicada à Virgem.

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