Praça Londrina (Estelio Feldman)
Naquele 13 de novembro de 1948, dia em que circulou pela primeira vez a Folha de Londrina, João Milanez, que veio de Santa Catarina via São Paulo para vender títulos de capitalização aqui, não pensava que, meio século depois, estaria festejando o jubileu de ouro de um dos maiores e mais conceituados jornais do país. Na verdade, ele estava era pensando no segundonúmero, em repetir aquilo que, como ele mesmo diz hoje, era um milagre que se repetia a cada exemplar. E foi assim, com um jornal depois do outro, que a Folha atingiu, hoje, 50 anos de existência.
O milagre que foi se repetindo é mais um resultado do milagre maior desta Londrina fantástica de todos nós que nasceu longe de outras terras, cresceu em função da coragem dos pioneiros, floresceu e se tornou para nós em um orgulho e para o Brasil em um exemplo. Pois o que se fez para construir Londrina e o Norte do Paraná constitui a maior demonstração da capacidade do brasileiro, um povo que muitos consideravam indolente, desinteressado, mas que mostrou aqui sua capacidade, sua disposição, toda sua força.
A Folha é, assim, apenas o efeito de uma causa, o resultado natural de uma Londrina que recebeu a todos de braços abertos e que premiou o trabalho, a dedicação, a honestidade de propósitos com o sucesso.
Histórias
Hoje é um dia de muitas histórias. Tem até um encarte especial em que muitos dos que fizeram parte destes 50 anos contam suas memórias. Naturalmente, até mesmo como me disse o Walmor Macarini, um encarte é pouco para contar tudo. Segundo ele, talvez só um jornal com 600 páginas (uma para cada mês) seria capaz de contar todos os fatos que construíram esta História.
Entretanto, o jornal de modo geral tem de se limitar ao seu espaço e, afinal, uma das características da profissão é, justamente, a de conseguir fundir em poucas linhas muitos fatos. Assim, pode-se contar os 50 anos em um encarte de 40 páginas ou, até, em um comentário de 40 linhas. O que mais importa, porém, é entender a importância de se contar esta História.
Este é o fulcro. É preciso perceber a importância da História, sentir que ela é a base de nossa vida. Nenhum de nós - assim como nenhuma das realizações humanas - surgiu do nada. Todos temos história. Inclusive, devemos aprender com ela, com nossos erros, com as dificuldades. Também aprendemos com as Histórias de outros. É um processo contínuo.
A História da Folha é, um pouco, a História de Londrina, da região, do Estado. É, como vocês poderão ler, uma História de luta temperada com muito amor.
Memória
Destes 50 anos da Folha, vivenciei só 38. Naturalmente, conheci a Folha antes. Cheguei em Londrina em fins de 55 e logo travei contato com o jornal. Estive na velha redação-oficina, na Duque de Caxias. E em 56, fiz uma visita oficial, com o amigo Silvio Henrique. Estávamos os dois no segundo ano do colegial do Vicente Rijo e havíamos lançado O Alfinete, um jornal da classe. Assim, como jornalistas estudantis visitamos a Folha, o que foi devidamente registrado na Ronda pela Cidade, que alguns consideram quase a precursora da nossa Praça.
Depois, veio o rádio e então o que interessava na Folha era a Coluna do Rádio onde o Radialino falava da gente, podia erguer ou derrubar alguém, com uma nota, uma linha. Uma nota, aliás, publicada pelo Radialino, foi que acabou me trazendo para a redação. Não vou cansá-los com a repetição desta memória, mas vou contar outra: em 57, nos Primeiros Jogos Abertos do Paraná, narrei minha primeira partida de vôlei, pela Rádio Paiquerê. Nunca tinha narrado nada, até então. Walmor Macarini, o Radialino da época, não me poupou, escrevendo no dia seguinte na Coluna do Rádio: Estelio Feldman pode ser um bom plantão esportivo. Mas para narrar vôlei, é uma negação!
Memória e saudade





