Até tu?
Sinto-me um pouco responsável pelo Calçadão. Eu e o Walmor Macarini, então diretor de redação desta ‘Folha’, sugerimos ao então prefeito José Richa que o construísse, nos moldes do que existia em Curitiba. Não fomos atendidos. Então fizemos a mesma sugestão ao seu sucessor, Antonio Belinati, em seu primeiro mandato. Sei que Belinati o construiu não devido à nossa sugestão, mas a gente sempre gosta de pensar que ‘ajudou um pouquinho’.
Pois é, por isto é que quando vejo o Calçadão violentado, fico irritado. O projeto era para que houvesse ali não só bancos ou floreiras mas, também, quiosques com várias finalidades. Houve época, penso que também durante uma das administrações do sr. Antonio Belinati, em que ocorreram críticas pela autorização para o funcionamento de quiosques de mais, quase atravancando o passeio. Mas, de modo geral, tem havido equilíbrio.
Agora, o que deixa a gente inconformado é ver que a própria Prefeitura instala ali barraquinhas sem muito critério. E, também, sem muita estética. Não sei por que puseram aquela barraquinha ali, quase na frente da porta das Americanas, nem sei se aquilo vai ficar muito tempo. Mas entendo que não deveria sequer ter sido colocada ali. Está fora da estética, é feia e com isto prejudica o próprio visual do logradouro.
Se até a Prefeitura faz bagunça nas praças e nos calçadões, como é que alguém pode questionar os que se colocam, ocupando o espaço que não é destinado a isto?Maturidade

A visita do prefeito Luiz Eduardo Cheida ao deputado e futuro prefeito Antonio Belinati, na Assembléia, é uma evidência de maturidade política. Homens públicos são rivais, não inimigos. Uma vez passada a eleição, importa que retorne o convívio elevado. Ademais, tanto um quanto o outro tem o mesmo aval, foram eleitos pelo povo.
Penso só que o prefeito atual foi um pouco indelicado ao dizer que iria entregar ao sucessor uma situação melhor do que a que recebeu, pois, afinal, quem passou a prefeitura a ele foi, precisamente, aquele que a vai receber de novo. Pode até ser verdade, mas há aí uma questão de delicadeza. Depois, também é algo que pode ser discutido, porque Belinati tem seus argumentos sobre o que fez e como deixou a casa. Felizmente o futuro prefeito foi mais ponderado e preferiu não discutir.
Isto porém é um detalhe. O prefeito Cheida tem uma carreira política também e será, seguramente, oposição a Belinati como o é ao governo Lerner. O que importa mesmo é que não haja clima de confronto, que ambos continuem nesta linha de elevação. Afinal, Londrina está acima de discussões partidárias, de interesses pessoais. E a voz do povo, expressa nas urnas, representa a definição de uma vontade que não pode ser questionada. Cheida e Belinati são pessoas que passam, Londrina fica e é ela quem merece toda a dedicação dos políticos que têm um compromisso único com o povo.Ainda dá

O Londrina perdeu para o América de Natal, lá, e só empatou com o Náutico, aqui. Mas ainda tem possibilidades de conquistar uma das vagas para a divisão principal do Brasileiro, ainda mais porque o Naútico havia perdido para o União São João, em casa. Até mesmo o fato de o time paulista ter disparado, não é suficiente para desanimar. Tudo está em aberto.
Entretanto, a gente deve pensar que também pode acontecer de o Londrina não conseguir ficar entre os dois primeiros do quadrangular, o que significará permanecer na segunda divisão. Ninguém quer isto. Mas vamos lembrar que todos os quatro times querem a mesma coisa. E só há duas vagas. Dois vão fazer a festa, os outros vão ficar fora.
Neste momento, o negócio é a torcida continuar firme, apoiar o time na próxima e sem dúvida muito importante partida, exatamente contra o time paulista que ganhou os dois jogos que realizou. Se o Londrina ganhar, domingo, equilibra bem as coisas e continua a depender de suas forças. Se só empatar ou perder, a situação se torna mais complicada.
O Londrina chegou muito mais longe do que qualquer um de nós esperava, quando isto começou. Na primeira ou na segunda divisão do Brasileiro, o Londrina merece aplauso e, principalmente, muito mais apoio. Este ano, o time só ressurgiu graças ao empenho de um grupo de abnegados. É preciso que todos os londrinenses se empenhem mais.Animais

A notícia publicada ontem, neste mesmo caderno, sobre a denúncia do desempregado Juarez José Ferreira segundo quem o Hospital Veterinário negou-se a atender a cadela que levou para lá e que por isto ela morreu, repercutiu quase que imediatamente aqui. Recebi muitos telefonemas, sendo o mais enfático de dona Neusa, que disse que tudo o que Juarez falou é verdade, que o HV não atende se não se pagar, o que, segundo entende, é uma falta total de um mínimo sentimento de caridade para com os animais.
O que ainda choca mais é que, em tese, quem se dedica à veterinária deve ter um amor aos animais. Deixar que um morra, por falta de pagamento, é não só lamentável, é terrível. Dona Neusa revelou que quando precisava atender aos seus animais de estimação, procurava uma clínica. Mas como isto ficou caro, recorreu ao HV. E pôde sentir o que o sr. Juarez percebeu: sem dinheiro, não tem atendimento. A única coisa positiva é que lá o custo é menor que em clínicas particulares. Mas, no caso de um desempregado, nem o mais barato pode ser possível.
Agora, deixar morrer o animal, isto é indigno de um Hospital Veterinário que, inclusive, é público. A gente não sabe mais quem é o animal, se o pobre quadrúpede ou se os bípedes que se negam a pôr a mão em um deles caso não tenham, antes, na própria mão, um cheque ou, melhor ainda, dinheiro vivo. Só dá para lembrar do ex-ministro Magri que ponderava, do alto de sua sabedoria, que ‘cachorro é um ser humano como qualquer outro’

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