Na onda da desestatização, fala-se sobre privatizar o setor de água e esgotos. As alegações são conhecidas: União, estados e municípios não contam com recursos suficientes para realizar as obras tão necessárias para atender a população. Pior, não possuem sequer capacidade de endividamento, quer dizer, não podem sequer conseguir empréstimos para realizar tais obras. Além disso, há também comentários sobre desperdício, perdas e também excesso de funcionários, alguns dos problemas do setor público.
O remédio, dizem, é privatizar. A iniciativa privada teria como investir, haveria água para todos, esgotos, saneamento básico e, por extensão, mais saúde. Parece, porém, que um problema que está sendo deixado de lado. Entre as causas das dificuldades oficiais para investir foi citada a tarifa baixa. O que se paga pela água, informa-se, não paga nem o investimento. Isto quer dizer que, com a privatização, as tarifas devem subir. E muito. Instaura-se a ‘‘realidade tarifária’’. Mas e como fica o consumidor de renda ínfima?
A baixa tarifa de água - possivelmente também a da luz - tem um componente social. Tarifas reais podem se tornar proibitivas para a maioria. Aí, como fica? Vai haver água em abundância mas muita gente não terá como pagar pelo produto ou serviço. O efeito positivo da água e do esgoto à disposição de todos cai na dificuldade para o cidadão de pagar o serviço. Pelo menos enquanto o salário da maioria for tão baixo, penso que será necessário pensar muito sobre o ‘‘realismo tarifário’’, implícito na privatização da água e da energia que se pretende implantar.


Faça o que eu digo

mockup