Flávio é jovem, professor universitário, bem apessoado e está procurando um apartamento para alugar. E não consegue. O problema não é o aluguel (apesar de se saber que professor não ganha lá estas coisas, ele tem condições de pagar um apartamento razoável), nem a necessidade de fiador. É que ele é solteiro. E pelo que pode perceber, solteiros sofrem um preconceito em relação ao assunto.
Se consegue passar pelo crivo da imobiliária, ele enfrenta outro pior, o dos síndicos. Que simplesmente (pelo menos entre os prédios que ele procurou) não aceitam solteiros. Se e quando um solteiro consegue finalmente alugar um apartamento, é o próprio Flávio quem informa, existem restrições dignas de internato do século passado: o rapaz não pode receber visita de pessoa do sexo oposto em sua casa (ou, no caso, apartamento). Parece incrível, mas é o que o Flávio me contou, no que foi confirmado por outras pessoas com quem conversei a respeito.
Aceitam famílias em que o marido bate na mulher, chega bêbado, em que as crianças fazem soada. Mas solteiro, não. Dizem que solteiro é irresponsável, faz bagunça, mas tudo isso, é só desculpa. Mesmo porque, as normas internas de qualquer prédio seriam suficientes para resolver essas coisas. E vale lembrar que esta discriminação constitui, aliás, uma flagrante violação de preceitos que estão na Constituição, um tipo de preconceito tão absurdo e inaceitável quanto qualquer outro.

Maturidade
Orgãos de divulgação, principalmente a TV, andaram dando instruções ao povo sobre como ‘fugir’ da cobrança da CPMF, que entrou em vigor ontem. O negócio, diziam, era tirar dinheiro do banco, antes, pagar contas antecipadas, estas coisas todas. Vi, no jornal, que o povão não fez a correria sugerida. Não houve retiradas malucas, nem antecipações em pagamentos, nada. O que, segundo entendo, prova a maturidade da população.
Olha, gente, esse CPMF vai ficar, pelo menos, por 13 meses. Não teria sentido correr para tirar R$ 50,00 do banco, na véspera, ou pagar conta de valor médio com dias de antecedência, só para evitar os 0,2% do imposto. Daí vocês vão me dizer que esta posição contraria o que tenho reiterado aqui. Mas, não. Pensem comigo: em época como a atual, é importante economizar, sim. Fazer contas. Mas não fazer bobagem.
Se você vai comprar uma coisa e há a oferta de cheque pré-datado, com 30 dias, é bom saber dos juros. Se cobrarem, como acontece, 4 ou 5% a mais (ou até mais, em muitos casos), não vale a pena. O melhor é pagar à vista. Será bom, também, economizar os 0,2% da CPMF, mas de modo inteligente: cuidar das aplicações, por exemplo, programar a poupança. Mas há outras economias em relação aos bancos: não abusar dos talões (que custam caro), dos extratos e, em geral, de todos os serviços bancários. Mas não precisa sair correndo feito louco por causa de um tributo.Ônibus
Ontem, logo cedo, duas leitoras vieram aqui para reclamar da mesma linha de ônibus, a 501 - Rápido Vivi Xavier. A primeira contou que chegou ao ponto no horário de sempre, pouco depois das 7 horas, para tomar o coletivo das 7h15. Só que o ônibus chegou quase 7h30. Daí, claro, ao entrar, num coletivo lotado, perguntou o que tinha havido e o motorista informou que um horário tinha sido cortado. Ela comentou, então, com outros passageiros, que esse tipo de mudança, o corte de um horário, deveria ser informada com antecedência. E levou uma bronca do motorista, muito mal educado (segundo ela) que dizia em altos brados que o povo ‘só reclama’. E ela nem havia dirigido a queixa ao profissional.
A outra leitora, que usa a mesma linha, mas um pouco mais tarde, enfrentou problema igual: o ônibus do horário costumeiro também não passou na hora. Nos dois casos, ambas quase perderam o horário para entrar no serviço, além do desconforto enfrentado com ônibus ainda mais cheios que de costume.
A primeira leitora me deu, inclusive, o número do ônibus e o apelido do motorista sem educação. Só não o divulgo aqui para não prejudicar uma pessoa que deve precisar do emprego, mas que não devia tratar mal o usuário, mesmo que em possível defesa da empresa. Mesmo porque, o usuário tem razão de reclamar, de exigir o mínimo de respeito. E a empresa tem a obrigação de informar se vai tirar ônibus da linha.FHC e IPTU

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