Praça Londrina - Estélio Feldman
Confesso que estou estarrecido. Tirar mantas e até cobertores dos armários, ter de usar agasalho em pleno janeiro é uma coisa que me surpreende. O tempo está maluco. A chuva dos últimos dias, embora os técnicos digam que está na média do mês (e os que me acompanham sabem o que penso desta história de média), não é o que a gente chama de chuva de verão, aquelas pancadas pesadas e rápidas. É chuva de inverno, continuada.
Menos mal que não temos um rio aqui em Londrina, não há enchentes como as do Estado do Rio ou de Minas. Mas há, para compensar a insensatez humana, bueiros entupidos provocando inundações e muitos estragos. Normalmente, a gente culpa a Prefeitura pelos bueiros entupidos. De fato, incumbiria a ela cuidar disto. A verdade porém é que nós temos, também, nossa parcela de culpa porque tem muita gente que pensa que bueiro é depósito de lixo e joga nas chamadas bocas-de-lobo toda a sujeira das calçadas e das ruas.
Qualquer pessoa sabe (ou deveria saber) que as galerias que recebem a água que cai nos bueiros se chamam galerias de águas pluviais, o que significa água de chuva. Não são depósitos de folhagens ou de lixo. Quer dizer, quando alguém joga lixo nos bueiros ou mesmo nas ruas e calçadas, está não só sujando a cidade mas contribuindo para o entupimento dos bueiros. É co-responsável pelos estragos.
A chuva a gente não pode evitar. Mas não entupir os bueiros a gente pode. E isso pode diminuir os prejuízos da chuva.
Segurança 1
O Senado aprovou lei agravando a pena para quem estiver armado sem o porte legal. A pessoa apanhada nesta circunstância pode ser condenada a penas que variam de 6 meses a 4 anos de cadeia. Pelo que se supõe, a medida visa aumentar a segurança, na medida em que tenta evitar que as pessoas andem armadas por aí. Entretanto, quem poderá vir a ser preso por causa da lei serão, naturalmente, pessoas comuns, gente honesta e trabalhadora. Criminoso, bandido que anda armado, não se preocupa com isso. Portava armas antes da lei, vai continuar fazendo o mesmo agora.
Concordo que se deva inibir o uso de armas porque é perigoso demais. Só que, como qualquer pessoa pode perceber, não é isso o que vai diminuir a criminalidade. Tem gente que compra arma porque está com medo. Em realidade, a posse de uma arma não resolve nada. Ao contrário, pode até provocar tragédias. Mas a questão está no motivo pelo qual as pessoas compram armas, andam com elas ou as mantêm em casa. No fim é tudo por medo.
E o que vai resolver isso não é uma lei mais rígida a respeito do porte das armas ou, como acontece com a nova legislação, com a proibição da fabricação ou venda de brinquedos que sejam réplicas de armas de verdade. O que se precisa é investir nos organismos de segurança, aparelhar melhor a polícia, preparar melhor o policial e, naturalmente, dar-lhe remuneração condigna.
Segurança 2
Esta semana, conforme inclusive foi noticiado neste caderno, ladrões invadiram a residência de uma companheira de trabalho aqui da Redação. Reviraram tudo, levaram um carro e algumas outras coisas e deixaram um profundo sentimento de pavor entre as vítimas. Por sorte, os ladrões não atacaram fisicamente as pessoas da casa, que estavam dormindo. Mas isso foi um acaso. O problema está na invasão de uma residência, situada na faixa central da cidade que, aliás, tem sido alvo de muitos assaltos e furtos de veículos.
O que ressalto aqui, de novo, é a insegurança. Pouco (ou talvez nada) valeria para o casal a posse de uma arma. Na verdade, poderia até servir para os bandidos. Seria imprescindível um policiamento preventivo eficaz, uma atuação que não se percebe da polícia. Não há queixas em relação à rapidez com que a PM foi ao local, logo depois de acionada. Mas, depois, não é o suficiente.
Sabe-se, perfeitamente, que há um enorme componente social neste problema da criminalidade local e até nacional. Entretanto, a questão social não vai ser resolvida em alguns dias, meses ou mesmo anos. Até lá ou paralelamente a qualquer esforço nesse sentido, é preciso que haja maior preocupação das autoridades em garantir a segurança dos cidadãos. Isto é uma obrigação fundamental do Estado.
Torneio de xadrez





