Praça Londrina - Estélio Feldman
Cheguei a Londrina, em 1955, de trem. Foi uma longa e dura viagem, compensada porém, à chegada, pela visão daquela construção fantástica que era a Estação Ferroviária de Londrina. Já repeti, muitas vezes, que me apaixonei por Londrina ao chegar. Lembro, até hoje, todo o trajeto feito da Ferroviária até a casa de madeira (que também me encantou) em que moramos por alguns anos. Gostei da paisagem, das construções. Só depois, quando comecei a conhecer a gente desta Cidade, especialmente após começar a estudar no Colégio Estadual, foi que senti o carinho hospitaleiro que é, também, marca desta terra.
Infelizmente, porém, há uma outra tradição que por vezes se mostra perigosa. Como a Cidade tem crescido velozmente (e isto era mais real, ainda, nos anos 40 e 50), edificações lindas e que fazem parte da História foram postas abaixo. A Ferroviária também correu este risco. Quando tiraram os trilhos do centro, não poucos falaram em por abaixo aquela edificação para abrir uma nova e imponente avenida. Como, porém, estava crescendo uma consciência de preservação, houve uma intensa mobilização em defesa da construção que se converteu - o que é mais que adequado - em Museu.
Hoje, o trem já não carrega mais passageiros - e esta é outra luta que temos de desenvolver, a da volta do trem de passageiros - mas a edificação persiste, uma lembrança do passado, uma certeza do presente e uma garantia no futuro.Fórum
Outra linda, embora diferente, edificação da Londrina antiga era o Fórum, bem no centro da Cidade, diante da Catedral, pertinho do antigo Paço Municipal (nome que se dava à Prefeitura, no passado). Uma construção forte, dando bem a idéia do que se esperava da Justiça, algo reto, vetusto, respeitoso. Quando a gente passava pelo Fórum, sentia que estava de fato diante de um local de onde emanava o poder mais puro da Justiça humana.
Pois é claro que chegou o dia em que também se cogitou de derrubá-lo. Foi construído um novo centro administrativo, incluindo a Prefeitura, a Câmara e o Fórum, lá pelos lados do Igapó. Logo, por que não derrubar a velha edificação, construindo algo novo em seu lugar?
A idéia provocou justa reação. A Folha participou da luta para preservar o prédio. A idéia de levar para lá a Biblioteca Pública Municipal ganhou corpo e força, até se converter em realidade. Se o belo prédio está ainda lá, se hoje temos uma fantástica Biblioteca Pública Central, incluindo teatro e muito espaço para os nossos estudiosos, é porque houve uma grande luta cívica. O Fórum, das poucas edificações que restaram da época mais antiga de Londrina, é também um local de História, fincado no centro da Cidade, servindo hoje à cultura e guardando em suas paredes, em suas escadas, em toda parte, um pedaço da própria vida pujante desta comunidade.A Higienópolis
Falar das paisagens de Londrina sem evocar a Higienópolis é esquecer algo fundamental. Hoje, a avenida perdeu aquela sua primeira identidade. Local preferido pelos jovens, cheia de barzinhos, lojas de conveniência, a Higienópolis continua linda mas não é mais aquela avenida das grandes casas - verdadeiras mansões - em que moravam os pioneiros, a nossa, digamos assim, elite.
Como Londrina é diferente, como cresceu de modo bem diverso do de outras cidades, como por aqui o valor das pessoas se mede pelo trabalho, a visão mesma sobre os pioneiros que abriram a Higienópolis é diferente. Vejo com respeito aquela casa enorme, lá no alto, que hoje é um banco mas que foi construída pelo pioneiro Celso Garcia Cid, com pedras trazidas da Espanha, segundo me contaram. Lembro, quando passo por lá, dos moradores antigos, consigo ver por tráa das inovações atuais o que havia há alguns anos. Chego até a rever lá na subida, pertinho da Espírito Santo, a casa em que morava Nilson Rimoli, o diretor de Redação que forjou o estilo da Folha nos primeiros tempos.
Já não há quase pioneiros por lá, mas a avenida Higienópolis continua a ser a artéria que fala ao coração, à mente e, principalmente, à memória, lembrança viva de uma época de luta e confiança no futuro. Os novos contornos, até mesmo o prolongamento da vida, não alteram a substância histórica.O que caiu





