Na reportagem informando que a Câmara de Vereadores aprovou projeto para o prolongamento da rua Mato Grosso até a Leste-Oeste, vi a informação também sobre a intenção de um vereador de reabrir a rua Piauí, no trecho entre a Rio de Janeiro e a São Paulo.
Como sabem todos (eu acho) o trecho é onde, atualmente, fica o famoso Zerinho, e é a ligação entre os dois segmentos do Bosque central. Não faz muito tempo que se fechou aquele trecho da Piauí. Foi depois que tiraram o terminal central de ônibus do local. Foi uma idéia discutida com a coletividade à época e que mereceu apoio. De fato, criou-se ali uma área de lazer importante para os que moram no centro. Mais que isto, tornou-se melhor todo o espaço verde central.
A existência do Zerinho atrapalha um pouco o fluxo de trânsito no centro? Sem dúvida. Mas será que vai melhorar tanto assim, que valha a pena acabar com um espaço de lazer a fim de dar mais espaço para os carros? Pessoalmente, acredito que nós pensamos muito em espaço para veículos e pouco em locais para as pessoas. Não somos bichos com rodas, somos bichos com pés.
Penso que reabrir a rua Piauí não vai ser um benefício tão grande que compense a perda do espaço que, embora existente há tão pouco tempo, já é tradicional. Natural e democraticamente, o espaço está aberto para debates. Quem quiser opinar, é só telefonar, escrever ou simplesmente falar comigo. Penso que isto pode até oferecer alguns subsídios ao vereador que anunciou a iniciativa e que, afinal, representa o povo.Paliativo
Uma leitora telefona para perguntar se não acho que a idéia de se apanhar os mendigos nas ruas, nos dias de mais frio, levando-os para abrigos, não é senão um paliativo. Claro que é. Entretanto, diante da situação real, entendo que é melhor um paliativo do que não fazer nada.
Pois a realidade é esta: quem está na rua, quem vive ao relento, corre um risco enorme de morrer de frio em épocas como a atual. Então, o que a gente faz? Deixa-os lá, informando que não adianta tirá-los hoje da rua, porque eles terão de voltar para lá, ou se procura, ao menos nas noites mais frias, dar-lhes um abrigo provisório? Creio que todos vão concordar que a segunda opção ainda é melhor.
Naturalmente, a grande solução seria dar um abrigo permanente a todos. Não apenas preocupa mas assusta a situação dos que estão, atualmente, vivendo na rua. Não é alguma coisa aceitável em uma sociedade humana, ainda mais quando somos todos (ou quase) pessoas que crêem em Deus, que praticam alguma forma de caridade. Ver gente dormindo na rua constitui até um atestado de nossa própria falta de competência para garantir que todos tenham condições mínimas para a vida.
Isto porém não se resolve tão cedo. Logo, é preciso pelo menos pensar no paliativo, insistir em um trabalho que busque atender aos mais carentes pelo menos na emergência do frio, para que ninguém morra nas ruas.Festival
Depois de uma festa fantástica, é até triste a gente ficar sabendo que a organização do Festival Internacional de Teatro de Londrina precisa lutar para completar o pagamento das despesas. Uma promoção que dá a Londrina um destaque mundial, que traz para a Cidade experiências e realizações de outros países, não podia viver assim, com os promotores lutando para conseguir recursos, antes, e se esfalfando para completar o orçamento, depois.
Como insistem os promotores do Festival, isto não pode continuar assim. Uma promoção que se realiza há 30 anos, que tem uma profundidade imensa, que traz cultura para o povo, que difunde a Cidade, não pode mais ficar nesta permanente dependência de ajudas emergenciais. O Festival deveria ter verbas orçamentárias definidas pelo Estado, pela Prefeitura, além de contar com o apoio das empresas que, no fim, direta e indiretamente, se beneficiam da promoção. Os organizadores deveriam se preocupar com os convites aos grupos, com os espetáculos, com tudo, menos com a parte financeira, que já deveria estar definida. Infelizmente, porém, esta continua a ser uma utopia. E o Festival se faz graças à disposição e luta de alguns.
E já que estou no tema, penso que a sugestão relativa a se fazer um Teatro Municipal também já passou do tempo de ser levada a sério. Uma iniciativa que diminuiria custos para a própria promoção e beneficiaria Londrina amplamente.Nossos problemas

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