Muitos leitores estão ligando para saber da saúde de Oswaldo Militão, antigo (para não dizer velho), combativo e querido companheiro que, há alguns dias, virou notícia. Jornalista não gosta muito de ser notícia. Nosso negócio é dar notícia. Mas, no caso do Militão, presente nos últimos tempos duas vezes por semana nas páginas da ‘Folha’ (e ultimamente colega até deste tão aconchegante caderno), o coração velho de guerra deu um susto e ele acabou sendo noticiado devido a operação a que foi submetido.
Bom, então, dentro até do espírito verdadeiro do jornalismo, devo dar a ‘suíte’, que é a continuação da notícia. Uma coisa que às vezes a gente esquece. Informamos que uma pessoa ficou doente, mas depois não informamos mais nada. E as notícias são boas. O combativo companheiro já deixou o hospital, está em casa se preparando para voltar. Porque é certo que ele volta à ativa.
Aliás, dizem que este é o problema: o Militão não pára. Está em atividade há 40 anos, faz TV, trabalha na Justiça do Trabalho, escreve duas páginas semanais aqui, anda, escreve, comenta, corre. Aqui mesmo na Redação, quando veio a notícia da operação, alguns ponderavam que ele poderia diminuir um pouco o ritmo. Acontece que o que aquelas pessoas não sabem é que existe gente que não tem outra marcha, que sempre está em ação, para quem o trabalho é a própria vida. É o caso de Oswaldo de Jesus Militão. Para ele, fazer tudo o que faz não é trabalhar, é viver.Um meninão
Dos quatro ‘dinossauros’ que ainda estão pela Redação (dinossauro é expressão que se usa para falar dos chamados velhos jornalistas), Militão, Carlos da Silva, Walmor Macarini e eu, o primeiro é o mais novo. O fato de ter tido problemas de coração não pode ser, portanto, decorrente da idade. Talvez seja porque ele tem, de fato, um coração enorme, que carrega, como acontece com todos nós jornalistas, toda a emoção e a tristeza das tragédias que a gente acompanha ao longo da vida.
Não, ele não é idoso. E traz uma alma de criança, um verdadeiro garotão que se encanta com as coisas da vida, que não deixou que os eventuais problemas diminuíssem sua garra e sua vibração. Militão acredita nas pessoas e tem procurado, ao longo de toda sua carreira como jornalista, divulgá-las. Não lembro de ter lido uma crítica do Militão a alguém, em todas as colunas e páginas que já escreveu na ‘Folha’, assim como também de vê-lo atacar outros seres humanos, pela TV. Que eu saiba, jamais ocupou o espaço que conquistou com seu trabalho para denegrir quem quer que seja.
Claro, a gente pode dizer que vem de uma escola muito boa, dos velhos tempos do jornal, aprendendo as lições simples mas diretas de João Milanez, dos irmãos Nilson e João Rimoli, profissionais que se negavam sempre a usar o jornalismo como arma para agredir a quem quer que seja.TV
Na televisão, Oswaldo Militão dá a impressão de ter nascido ali. É firme, tranquilo, fotografa bem (como dizem os especialistas). Mas poucos sabem que a primeira vez que Militão viu TV na vida ele já devia ter uns 20 anos, ou pouco menos. Foi em 1959. Na época ele já estava na ‘Folha’, mas eu ainda estava em rádio. Fomos juntos a Santo André, Estado de São Paulo, acompanhando a delegação de Londrina aos Jogos Abertos do Interior. Uma longa viagem de trem, com quase 20 horas de duração.
De São Paulo, fomos a Santo André, para os alojamentos que partilhamos com a equipe da Leal (Liga de Esportes Atléticos de Londrina). Depois, voltamos a São Paulo para contatos que nos permitissem enviar nossas reportagens para Londrina. Então, junto com o Militão, que se encantava com tudo o que via naquela enorme Capital, passei na casa de um amigo. Entramos e, na sala, um aparelho de TV ligado. Militão não saiu dali. Sentou, quase que hipnotizado. Era um sábado, se bem me lembro, e a televisão mostrava um jogo de futebol. Militão sentou diante da TV e não desgrudou dali. Na hora da gente ir embora, percebi. Cansado talvez da longa viagem, ele simplesmente dormiu sentado, diante da telinha.
A gente nem podia imaginar que alguns anos depois, quando a TV finalmente chegou a Londrina, ele iria ser o primeiro comentarista social da TV Coroados, com um programa que ficou na História.Volta logo

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