Passando pela praça que fica ao lado do Colégio São Paulo, vi uma pessoa colocando flores junto à estátua que tem ali. Fiquei curioso. Passo todos os dias por aquela praça e quase nunca prestei atenção na estátua. Então, claro, fui olhar de perto, ler a placa que está ali. Deparei, então, com uma mensagem de dom Geraldo Proença Sigaud, que foi bispo de Jacarezinho, um dos mais famosos prelados deste Norte do Paraná, explicando a homenagem que se fazia à Imaculada Conceição de Maria.
Aí muita gente pode dizer que eu não deveria revelar deste modo minha ignorância quanto a um monumento que existe há décadas no centro da Cidade, ainda mais quando sou, em tese, cronista de Londrina. Mas creio que a maioria vai entender a questão pois o que acontece é que todos nós passamos pelas ruas e não nos apercebemos de nada. Somos como aqueles que Jesus até citou, temos olhos e não vemos. Isto tanto em termos reais quanto de modo mais íntimo.
Andamos pela nossa linda cidade e não vemos suas belezas, seus monumentos, suas atrações. E andamos assim, também, pela vida, não percebendo o dom fantástico que nossa própria existência é.
É preciso, por vezes, que a gente veja alguém à frente, agradecendo com a simplicidade das flores o dom que recebeu para que despertemos. E é bom quando a gente ainda acorda em tempo. E percebe que deve aproveitar melhor a vida que ganhou, passando por ela com atenção e agradecimento a Quem nos criou.



Aventura
O pedestre que estiver ao lado da Biblioteca Pública, no centro, e precisar ir até a Caixa Econômica, do outro lado da rua, enfrenta um risco permanente. Na verdade, se não quiser ser atropelado, pode fazer duas coisas: descer até o Posto de Saúde, onde atravessará até a faixa central, porque lá o sinal permite a passagem, depois subir de novo até a Catedral e, então, atravessar a rua com o sinal fechado. Corre só um pequeno perigo quando atravessar por aquele trecho em que os carros são autorizados a convergir à esquerda, em retorno.
Para correr menos perigo, pode preferir um caminho mais longo: atravessa a calçada da Biblioteca até o Bosque; depois do Bosque até a Catedral. Vai até o fundo da Catedral e atravessa para a Praça Marechal Floriano; daí, atravessa a Praça e lá na esquina da Rio de Janeiro com o Calçadão atravessa, chega ao Banco do Estado e sobe a rua para chegar à Caixa.
Complicado, não é? Mas isto é só para deixar claro que o pedestre, em Londrina, continua a ser um desamparado, sujeito às loucuras do trânsito, em quase toda parte. Os semáforos são para os carros, as conversões à direita, permitidas por lei, tornam sempre arriscado atravessar a rua. Para completar, a falta total de civilidade dos motoristas torna o exercício (que os médicos consideram tão bom) de andar em uma aventura das mais perigosas, que pode acabar num leito de hospital ou, até, num buraco do cemitério.Pais e filhos
Muita gente ficou chocada com a notícia, publicada esta semana, sobre a mãe que teve de acionar os filhos para conseguir uma pensão deles. Ganhou. Agora, os filhos, que são 10, vão ter de entregar à mãe uma quantia mensal, que, na verdade, não é muito elevada: eles foram ‘condenados’ a pagar 340 reais por mês, o que dá 34 por filho.
Infelizmente, esta não é uma situação incomum, a de filhos que abandonam os pais, que os deixam sem meios e sem recursos. A situação dos idosos, de modo geral, no Brasil, é muito grave. O avanço da ciência, da medicina, amplia a perspectiva de vida das pessoas. Hoje, sem dúvida, há mais idosos do que há meio século. Isto é bom. Mas tem o outro lado, porque não há uma proteção adequada para os que vão ficando velhos. Mesmo os que ainda conseguem uma aposentadoria, não ficam tão bem: a maioria recebe um mínimo, 120 reais hoje, o que não dá, em muitos casos, nem para comprar os remédios que a idade reclama. E há os que nem isto conseguem, neste país de tantas injustiças sociais.
Em qualquer caso, acabam dependendo dos filhos que, muitas vezes, não estão em situação muito melhor. É um problema complicado. É claro que isto tudo não significa que as coisas devam acabar na Justiça. Ou no abandono. Porque o que parece que falta, mesmo, é aquele mínimo de reconhecimento e gratidão aos que nos deram a vida. Este é o componente efetivamente preocupante em toda a questão.Privatização e aposentados

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