Ouvi contar que logo após a Abolição da Escravatura foi aprovada sugestão no sentido de se queimar todos os documentos alusivos à escravidão, no Brasil. Era, diziam, para apagar da História, aquela prática. Não adiantou. E, na verdade, não se deveria ter feito.
A gente tem é que lembrar que houve uma época, no nosso Brasil, como de resto em praticamente todo o mundo, em que seres humanos foram escravizados. Aqui, pela cor da pele; em outros tempos e outros países, por motivos diferentes. Apagar os documentos não muda a realidade.
Neste 13 de maio, que muitos não gostam de recordar, porque entendem que a Abolição que se celebra hoje também tem um certo traço de paternalismo, é importante lembrar. Não concordo nem com os que contestam a data. A Princesa Isabel teve a coragem de assinar a chamada Lei Áurea. Mas foi a Assembléia da época que a aprovou. E, ao longo dos anos, muitos brasileiros se colocaram contra a escravidão. O 13 de maio de 1888 foi apenas a culminação de um processo.
Processo que ainda não terminou. Ainda há seres humanos submetidos a outros, ainda há exploração. Ainda há ofensas sérias à dignidade humana. Por isto é preciso lembrar o 13 de maio e todas as lutas libertárias que foram travadas. São marcos da luta de um povo que continua em sua rota para vencer as injustiças e fazer prevalecer o respeito a todos os seres humanos, iguais em sua dignidade e em seus direitos à vida.


Sebo
O Sebo, como já contei, lugar em que se vendem livros antigos, não está mais na praça diante do Correio. Quando percebi a ausência, fiquei preocupado porque havia noticiado a existência do ‘estabelecimento’ e pensei que, por causa disto, o tinham tirado. Mas encontrei o Cícero, o dono do Sebo, em outro local. Ele me falou que quem o tirou do lado do Correio foi o comércio formal. Ele conseguiu outro espaço e, infelizmente, não vou dizer onde, porque não quero que ele possa ser prejudicado.
É pena. Mas se você passar pelo centro, fique atento. Pode cruzar com o Sebo da Praça e encontrar livros bons, antigos, baratos.
Aliás, o Cicero contou que está procurando um espaço legal para se instalar. O que, porém, insisto em ponderar é que os livros que são oferecidos por ele não são encontráveis nas livrarias ou bancas. São exemplares que normalmente já não estão mais à venda nos locais tradicionais. E os preços são bons.
Entendo que isto ajuda até o comércio formal porque quem compra um livro barato e toma conhecimento de um autor que não havia ainda descoberto, pode se tornar mais um cliente normal de livros. Penso que o de que precisamos é disto, incentivo à leitura. Quanto a mim, comecei em bibliotecas públicas, passei por muitos sebos e liquidações de livrarias. E, ainda hoje, frequento bibliotecas e troco livros com os amigos. Ler é bom, mas infelizmente não é barato.Mensagens
De Sebastião Nei dos Santos, que conheci há 40 anos na Paiquerê - atenção, JB e Ricardo, ele também é fundador da emissora que faz 40 anos - e que me acompanhou como amigo ao longo de todo este tempo, recebo singela e amistosa mensagem de cumprimentos pelo primeiro ano de minha presença nesta Praça. Mostrando ser também fã de Castro Alves, Nei (que é assim que os amigos o chamam) faz questão de frisar que de fato a praça é do povo, como o condor é dos ares, e que o nome do pássaro não leva acento, não é palavra paroxítona.
E, de uma gentil leitora, recebo um ‘Decreto’ que diz assim:
Está decretado, a partir de agora, de utilidade pública o espaço Praça Londrina. Em Curitiba, tem a Boca Maldita. Aqui, em Londrina, temos a Praça. É nela que nosso pensamento toma forma, que a nossa voz, tantas vezes emudecida, tem ressonância.
É a praça que nos encoraja a abrirmos a nossa boca.
É a praça que faz soar a voz do povo.
É nela que nossa voz tem eco, recebe som, assim como simples notas musicais jogadas numa pauta tornam-se melodiosas quanto alguém as toca.
A Praça é do povo.
É mesmo, e espero que continue a ser. Para isto, precisa continuar tendo este apoio e este carinho e, principalmente, a coragem dos que assumem sua cidadania e reclamam seus direitos.Deficiências: família & prevenção

mockup