Praça Londrina - Estelio Feldman
Vejam só, faz um ano que nós começamos a nos encontrar aqui, nesta Praça. Foi no começo de maio, eu lembro, porque uma das primeiras Praças que fiz era sobre o Dia das Mães.
E então, certamente voces vão perguntar: e daí? Daí que, como contei nestes dias, datas para mim têm importância. No caso, vale a pena fazer um balanço. Lembro, por exemplo, que escrevi logo no primeiro dia: estava ocupando esta Praça na época para manter aberta uma porta. Para mim, este espaço não é meu. É do jornal, claro. Mas é, principalmente, do leitor.
Nós temos, no jornal, o espaço das cartas. Mas nem todos gostam de escrever correspondências. E há coisas que não precisam de cartas. Há reclamações, há queixas, há sugestões, há até, quem sabe, algum desabafo que o leitor quer fazer. E é por isso que existe a coluna.
A Praça é do povo como o condor é dos ares - creio que a frase é de Castro Alves. Então, esta Praça é do povo. Neste ano todo, acabei conhecendo muita gente e, com toda a modéstia, sinto que foi possível abrir portas. Vejam vocês só um exemplo: estes dias, uma leitora pediu que noticiasse que seu carro tinha sido furtado, bem no centro da Cidade, à luz do dia. Publiquei a informação. Soube que, dias depois, ela recebeu um telefonema informando que o carro que, segundo esta Praça, tinha sido furtado, estava em tal lugar. Recuperou o veículo. Acho que ajudei. E sabem o que espero? Poder continuar ajudando a quem precise. É só ligar, escrever, vir pessoalmente. A Praça continua a ser do povo.
Árvores
Recentemente, divulguei aqui as reclamações de um leitor sobre a poda de árvores em Londrina. Ele contou que conseguir licença da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) para derrubar uma árvore é a coisa mais fácil do mundo. Revelou ainda que, quando foi lá, recebeu a informação de que não só era permitido o corte como poderia ele próprio efetuá-lo, se tivesse pressa, porque havia uma grande fila.
A propósito desta informação, outro leitor ligou para comentar o que aconteceu há algum tempo, pouco mais de um ano, no jardim Dom Bosco. Narrou que o dono de um terreno resolveu pôr abaixo um jatobá que havia ali. A decisão provocou reação de muita gente e até a polícia apareceu. Mas quando o dono da árvore foi à AMA, recebeu licença para cortar, sob a alegação de que poderia fazê-lo porque era só um jatobá. Se fossem dois, não podia!
O leitor ainda conta que a observação indicava que, embora o jatobá estivesse no terreno da casa, poderia ser considerado propriedade pública por ocupar a área de recuo, o que implicaria em considerar que, legalmente, deveria ser considerado como fazendo parte da calçada.
Mas as considerações de nada valeram ali. O jatobá se foi, como continuam a ir as árvores indefesas e sem muitos defensores entre nós. Bem que se falou na criação de uma ONG para protegê-las. Talvez seja a única solução diante do quadro atual.
Livros
O poeta Castro Alves estaria feliz, em Londrina, nestes dias. Explico: o chamado poeta dos escravos fez um elogio a quem semeia livros. E, só esta semana, recebi convite para o lançamento de três livros.
Vou pela ordem: amanhã, no Espaço Cultural Livraria Arles, na avenida JK, 1.615 (o número é para quem não sabe onde é, ainda) será lançado o livro Terra roxa de sangue: a guerra de Porecatu do professor Joaquim Carvalho da Silva.
No dia seguinte, sábado, dia 10, um novo espaço cultural se abre: é o Bar Brasil, que comemora 55 anos de existência, e que promove o lançamento, com noite de autográfos, do livro O horror está no andar de cima, de autoria de Irene de Souza Medeiros. O Bar Brasil fica na Hugo Cabral, 757, e o lançamento deve começar às 18 horas.
Para completar, na próxima semana, dia 16, sexta-feira que vem, ocorrerá o lançamento do livro Laurita, de autoria de Michelle Regina Mello Varrasquim, uma autora realmente jovem que surpreende com uma obra que vem precedida de muitos elogios. Será no espaço Cultural Banestado, na avenida Bandeirantes, 500, a partir das 20 horas.
Três livros novos, no espaço de uma semana, e em três locais diferentes. A cultura ganha espaço em nossa Londrina. Ainda pequeno, mas de qualquer modo é importante ver o florescimento na vontade de escrever.
Pedestres revoltados





