‘Sebo’, para quem não sabe, é o nome que se dá a estabelecimentos que vendem livros usados ou velhos. Para quem gosta de ler, são locais muito apreciados porque a gente encontra ali livros que já não estão em livrarias e a um preço mais em conta. Pois, agora, um jovem resolveu montar o seu ‘sebo’ na rua.
Cícero Cavalcanti conta que começou tudo com sua própria biblioteca: tinha cerca de 800 livros. E iniciou o negócio. Como não tem um local, resolveu trabalhar na rua mesmo. Seu ‘sebo’ funciona ao lado do Correio, bem em frente da Redação da Folha. E, embora a gente saiba que o comércio legal não gosta muito disto, o certo é que devemos perceber, ainda mais nesta época tão complicada que vivemos, que há muita gente querendo trabalhar, sem encontrar serviço.
Cícero está trabalhando. Penso que ele, como os artesãos que estão ocupando o chão na Praça Marechal Floriano ou os que vendem tele-sena ou papa-tudo aqui pelo centro, precisam ser apoiados. As leis são feitas para o povo e neste momento em que muitos procuram um meio de vida e não o encontram, entendo que é preciso que se criem condições para garantir este tipo de esforço.
Mas, voltando ao ‘sebo’ do Cícero, devo dizer que vi, ali, muitos bons livros, a preços realmente acessíveis. Tem ali obras de Érico Verissimo, Agatha Christie, de José Mauro de Vasconcelos, best-sellers, além de obras sobre religião. Uma festa para quem gosta de ler, uma promoção bem melhor da leitura que a campanha institucional divulgada nos últimos tempos pela TV.


Aumento, não
Com esta história da ameaça de blecaute, devido ao chamado excesso de demanda, já saíram notícias adiantando que o Governo poderia usar a técnica do aumento de tarifas de energia para conter o consumo. Uma alternativa inaceitável sob qualquer ponto de vista.
Aumentar tarifas, hoje, é pressionar a inflação, prejudicar a camada mais pobre (que, no Dia do Trabalho, ganhou um ‘reajuste’ inferior a 8% nos salários) e beneficiar as empresas geradoras, sem qualquer garantia de resultado. A solução para o problema não pode ser esta.
É claro que ninguém quer racionamento, que deveria ser a última solução. Entretanto, é fora de dúvida que, neste caso, uma campanha de esclarecimento bem ampla, bem feita e abrangente teria resultados. A população não é tão ignorante. E o povo brasileiro já deixou evidente que cresceu muito nos últimos anos, que atingiu um nível de percepção da cidadania que antes não tinha.
Não é preciso pressionar pelo preço. Esta é uma solução que só interessa aos que querem tirar proveito de uma situação. Com um trabalho simples de orientação ao consumidor, será possível perceber resultados tanto na redução do consumo no horário de pico de demanda quanto no geral. E não se pode esquecer da obrigação das autoridades para a adoção de medidas concretas visando enfrentar o desafio para garantir o abastecimento da energia necessária ao consumo tanto residencial quanto industrial.



Dia do Trabalho
Antigamente, o comentário sobre o Dia do Trabalho, celebrado quinta-feira, era quase sempre o mesmo: no seu dia, o trabalhador nada tem a festejar. Talvez haja quem considere que isto, hoje, ainda é cabível. A gente vê o reajuste do mínimo e reclama: isto não é aumento! De fato, não é. Mas penso que atualmente vivemos outro momento na vida brasileira. Não se trata do aumento, mas do valor do dinheiro. Como não se trata do trabalho, mas da valorização do trabalhador.
O brasileiro, hoje, tem outra visão do trabalho, tem mais consciência de seus direitos e deveres. O trabalhador brasileiro evoluiu. Há porém uma imensidão de pessoas que quer trabalhar e não encontra serviço. Existem os que buscam outros caminhos. E, de modo geral, percebemos uma signifitiva mudança nos conceitos sobre a atividade humana.
Ainda estamos longe de encontrar as soluções que possibilitem à realização do sonho simples do ser humano que quer ter um trabalho digno, uma remuneração justa e condições para propiciar a si e aos que dele dependem uma vida decente. Entretanto, creio que estamos a caminho. A luta pela estabilidade da moeda, com seus bons resultados, já tem ajudado a valorizar o trabalho, pela melhoria no poder aquisitivo da moeda. A nova etapa é a de se propiciar a criação de mais empregos, a ampliação de oportunidades. Vai chegar o dia em que o trabalhador terá o que busca: trabalho, salário e respeito à sua dignidade.



Solidariedade

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