Os postos de abastecimento de combustível, que há muito tempo - antes mesmo do Plano Real - trabalham com cheques pré-datados, dando prazo variável para os clientes, contabilizam prejuízo imenso com os cheques sem fundo. É um volume imenso e uma perda maior agora por causa da moeda estável.
O lógico seria que isto não ocorresse. Eventualmente não aconteceria em um país civilizado. Afinal, emitir cheque sem fundos é crime. Claro, os mais antigos lembram a época em que, nesta Londrina, cheque sem fundos era dinheiro em circulação. Mas era outro tempo. Hoje as coisas são diferentes. E quem emite tais cheques, na maior parte dos casos, não pensa mesmo em pagar.
O que acontece é que se todos quantos recebem cheques sem provisão procurarem a polícia ou a Justiça, então aí é que tudo pára mesmo. Creio que haveria tantas ações que simplesmente emperraria o mecanismo judicial, mesmo se as pessoas apelassem para o Juizado das Pequenas Causas.
Entretanto, é certo que alguma coisa precisa ser feita até para diminuir uma sangria tão grande. Alguns donos de postos estão começando, inclusive, a listar os cheques sem fundos e preparando um tipo de cadastro. Penso que eles deveriam se unir nisto, formando um rol total de proteção comum. Nesta época de informática, não é tão difícil. E pode ajudar, pelo menos, a diminuir o prejuízo. Se não dá para receber tudo o que foi pago com cheques ‘frios’, talvez seja possível evitar receber outros tantos.



Gente
Extra-oficialmente, a Sociedade Rural do Paraná calculou que um milhão de pessoas visitou a Exposição, nos seus 11 dias de realização. Mais de 800 mil pagaram ingressos. De modo simples, isto significa o dobro da população de Londrina. É como se todos nós, os que aqui moramos, tivéssemos ido até lá pelo menos duas vezes. E é claro que, na verdade, não foi isto o que aconteceu. Boa parte da população local foi, sem dúvida. Mas veio muita, mas muita, gente de fora.
Isto não só reanima uma cidade e toda a região mas injeta em toda ela enorme soma de riquezas. Os hotéis receberam visitantes, os restaurantes, e não só na Exposição mas pela Cidade, aumentaram seu movimento, aconteceu um grande giro de dinheiro. Houve os leilões, movimentando milhões. Não creio que seja possível levantar plenamente todo o efeito positivo da Mostra sobre a Cidade, a região, o próprio Estado. Mas sei que são eventos deste porte que ajudam a revitalizar a economia, dando um impulso grande a muitos setores.
O que é preciso é que mais promoções deste porte se realizem. Fala-se tanto de um centro de eventos, que é sem dúvida necessário. Mas o de que se precisa é de planejamento, de um trabalho amplo de entidades como a própria Sociedade Rural, a Acil, outras associações ligadas ao comércio e à indústria e aos próprios trabalhadores. Afinal, todos se beneficiam quando a Cidade cresce.


Ação comum
Quando a gente sugere coisas como a união entre as entidades que congregam as chamadas forças vivas, há quem considere isto uma utopia, até bobagem. Não é. Quando entidades como a Sociedade Rural, a Associação Comercial e Industrial, a ADVB, os grupos que congregam lojistas, enfim, aqueles que produzem de algum modo se unem, provocam efeito.
Importa, porém, que se unam com objetivo elevado. Uma jovem que estuda na UEL mas que vem de uma cidade do interior paulista comentava comigo precisamente isto: dizia que sua cidade estava em péssima situação devido à atuação falha da Associação Comercial de lá. E contava que lá, ao invés de estimular novos empreendimentos, a entidade freava iniciativas, trabalhava contra os que queriam se instalar. Disse que as Lojas Americanas foram simplesmente impedidas de abrir. E que outro grande grupo teve que se submeter inclusive na questão de preços.
Parece inacreditável para nós. Mas acontece. Felizmente, por aqui, as coisas funcionam diferente. E precisam continuar assim. A união que se pede é justamente a positiva, no sentido de se estimular empreendimentos, criar atividades, fomentar novos investimentos.
Londrina está vivendo uma época muito delicada, mas pode se recuperar, tem ainda fôlego para isto. Só precisa que haja disposição, coragem e a volta daquele velho espírito de pioneirismo.


Higienópolis x Humaitá

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