Praça Londrina - Estelio Feldman
Eles voltaram, mesmo. Os chamados menores de rua estão de novo por aí, nos cruzamentos, pedindo esmola. Já há até alguns flanelinhas, aqueles que limpam o pára-brisa sem ninguém pedir. E a gente já começa a ouvir (e ler) também comentários assustadores. Em carta, um leitor contesta o Código do Menor e do Adolescente. Entidades de assistência informam sobre ameaças contra eles.
Alguma coisa aconteceu para que eles voltassem às ruas. Verificar precisamente o que foi deve ser o primeiro passo para tentar equacionar a questão. Fala-se que foi a mudança na administração, com cortes de verbas para entidades que os assistem. Se for isto, é bom rever.
De fato, toda esta situação preocupa. Quando se informa que a maior parte dos furtos e roubos da Cidade é feita por menores, isto assusta. Mas a gente sabe que por trás deles há maiores de idade, exploradores, criminosos. Contestar o Código que os defende não é a solução. A lei é boa. Nós - quer dizer, a coletividade - é que precisamos dar condições para que ela funcione.
E, de modo algum, se pode sequer cogitar da solução nazista que alguns apontam com a maior insensibilidade. Não é um problema fácil e qualquer um que tenha sido vítima da ação dos menores infratores, que tenha sido assaltado por eles, fica, sem dúvida, apavorado e quer soluções. Penso que isto é o que todos querem - soluções. Mas não a solução final do catecismo nazi-fascista. A sociedade pode encontrar alternativas elevadas para eles.
Alternativa
Elas se chamam Vanderléia e Aparecida. São as duas garotas que tenho encontrado quase todos os dias, na região central, vendendo café. Carregam a garrafa térmica, os copinhos e atendem em qualquer parte. Cobram 25 centavos o copo, o que é um pouco mais caro do que o preço que se paga nos bares. Mas a diferença, naturalmente, decorre da verdadeira entrega a domicílio.
Segundo contaram (não querem, de modo algum, ser fotografadas para sair no jornal) estão conseguindo ganhar o suficiente para sobreviver. Mas qual será o seu futuro, perguntará alguém. E eu respondo: quando a gente nem tem presente, não pensa no futuro. Vender café pela rua pode não ser uma alternativa para ganhar muito dinheiro. Mas é melhor que esmolar, assaltar ou coisa pior. É o esforço para conseguir um meio digno e honesto para viver.
Aliás, elas estão diversificando a oferta: também já carregam salgados para vender. Tome um café, coma um salgado. Evidenciam criatividade. Logo, logo, podem estar com uma barraquinha, vendendo sanduíches.
Um bom emprego seria melhor. Uma escola, também. Mas quando não há uma coisa nem outra, então é importante ver a luta para conseguir soluções. O que espero é que não estejam sendo exploradas em seu esforço. Merecem o respeito de todos, pela vontade de enfrentar as dificuldades sem vergonha de um trabalho que não é fácil.
Preços
Fiquei olhando os preços na vitrine de uma loja de calçados que anunciava vendas em 2 e 3 parcelas, embora destacando que o desconto para o preço à vista era de 15%. Não sei se realmente este era o desconto, mas garanto que a taxa de juros embutida nos preços a prazo era elevada. O acréscimo para 2 pagamentos (um à vista, outro para 30 dias) passava dos 10%. Caso o cliente pretendesse pagar em 3 vezes (à vista, 30 e 60 dias) o aumento seria superior a 20%. Como nossa inflação está, na pior das hipóteses, pela casa de 1% ao mês, dá para ver que é péssimo negócio.
E o risco é o do equívoco. Você tem 60 reais para comprar um par de sapatos. Daí, vê a oferta e resolve mudar: compra 3 pares, dá os 60 de entrada e fica devendo mais duas parcelas. Se olhar a diferença que vai pagar, perceberá que melhor seria comprar um à vista, comprar outro no mês seguinte e o terceiro depois.
Isto aqui pode parecer bobagem de quem não tem o que fazer. Todavia, convido vocês a raciocionar comigo: o meu dinheiro, assim como o seu dinheiro, não é capim, não nasce em árvore. Não sobe todo mês, só uma vez por ano. A tentação de comprar logo, de usar o crédito, é grande. Mas, sinceramente falando, a gente está perdendo dinheiro com isto. Usar o prazo só mesmo em condições especiais, para compra de alguma coisa que a gente realmente queira ou necessite e não tenha como adquirir à vista.
Pedindo espaço





