Praça Londrina - Estelio Feldman
A leitora Elizabeth Cotting dos Santos, em carta publicada ontem, lembra que transcorre na próxima segunda-feira o Dia Mundial da Saúde, e pondera que todos os dias deveriam ser consagrados à saúde. Tem razão. Infelizmente, porém, não é esta a realidade que se observa neste País tão rico e em que as pessoas morrem de fome vivendo em cima da terra mais fértil do mundo.
Morrem de fome e, muitas, vivem doentes. O quadro que se observa nos hospitais, aqui como em qualquer parte do Brasil, é terrível. As pessoas se amontoam procurando socorro e ajuda, há gente que morre nas filas de atendimento, os hospitais estão superlotados, doentes ficam em macas pelos corredores, dando-se por felizes porque conseguiram uma vaga.
Dona Elizabeth tem razão: todos os dias deveriam ser dias da saúde, o que significa que as pessoas precisariam ter, em qualquer momento, a garantia do atendimento mínimo às suas necessidades. O 7 de abril, quem sabe, servirá como referência. Talvez se fale muito no assunto, as autoridades farão muitas promessas, como é usual. O desejável, porém, será que haja fatos e não palavras, ações e não promessas.
Junto com segurança e educação, atendimento à saúde é o que o povo tem direito de exigir de seus governantes. Entretanto, apesar da CPMF (o famoso imposto do cheque, cuja arrecadação deve ir toda para atender às necessidades do setor), a situação do atendimento à população continua muito precária, como qualquer pessoa necessitada pode testemunhar.
Preços
Há um ano e meio, época em que tive de tomar muitos sorvetes, chamou a atenção um carro que passava pela rua de casa (e que passava por toda a Cidade) anunciando 6 bolas de sorvete por um real. Tomei sorvete adoidado, pagando pouco. Estes dias, percebi que o carro continua passando pela minha rua e continua anunciando 6 bolas de sorvete por 1 real. Neste ano e meio, a inflação subiu pelo menos uns 15%, o combustível aumentou, seguramente tudo o que se usa para fazer sorvete também encareceu. Mas o preço é o mesmo.
Milagres da estabilização, a gente diria. Há um montão de coisas mantendo o preço ou subindo pouco. Até por isto, a reclamação do leitor Sérgio Henrique, que ligou para questionar o valor da entrada para a Exposição, que começou ontem, é válida. Ele pondera que, no ano passado, a entrada custava 3 reais. Subiu para 4, um aumento superior a 30% por cento. Lembra ainda que, em 95, a entrada custava 2 reais, o que dá em 2 anos um reajuste de 100%. A inflação não subiu tanto.
O leitor faz contas para concluir que uma família, mesmo que pequena, acabará gastando, na Exposição, muito, contando a despesa com transporte para ir até lá, entradas e as despesas normais ali dentro. E diz que a entrada deveria ser pelo menos mais barata, mesmo porque, entende, o interesse de todos é que haja muitos visitantes na Feira.
Equívoco
No dia em que comentei a outorga do Oscar em Hollywood, ponderei que seria bom se algum cinema local exibisse Fargo, que teve o prêmio conferido à melhor atriz. O jornalista Carlos Eduardo Lourenço Jorge, responsável pela programação do Ouro Verde, e uma atenta leitora me corrigiram: Fargo já foi exibido em Londrina, precisamente na tela do citado cinema.
Carlos Eduardo fez questão, inclusive, de dizer que há muito tempo o Ouro Verde tem dado espaço aos independentes, mas completou a informação contando que a frequência ao cinema, durante a semana em que o filme ficou em cartaz, foi muito pequena. O que, aliás, acontece muito com os filmes mostrados naquele cinema, a maioria da maior qualidade, embora a leitora que mandou o alerta sobre Fargo não tenha gostado da película.
De qualquer modo, isto prova pelo menos três coisas. Primeiro, que eu não estou acompanhando com a atenção devida a programação do Cine Ouro Verde. Depois, que meus leitores continuam atentos. E, finalmente, que só um cinema como o Ouro Verde, sem a preocupação comercial das demais salas de espetáculo, pode oferecer alternativas, filmes de arte, produções menos conhecidas.
De qualquer modo, reformulo: como penso que há muita gente querendo ver Fargo, que ainda não saiu em vídeo, era bom que o filme voltasse às telas da Cidade.
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