Praça Londrina - Estelio Feldman
Abre-se hoje, às 11 horas, a 37ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, a grande promoção que movimenta a Cidade e a região com muitas atrações e negócios. A vantagem de ser antigo é que posso dizer que lembro da 1ª Exposição e de tudo o que a cercou, inclusive as críticas de quem considerava bobagem se fazer mostra agropecuária numa região que só tinha café.
Neste, como em tantos outros eventos, os grandes heróis foram os pioneiros, os corajosos, os homens de visão que construíram esta nossa Londrina, que tanto nos encanta. Rememoro de novo o desabafo feito pelo outro pioneiro, Remo Veronesi, sobre a situação atual de Londrina. Devemos não só nos mirar no exemplo dos que vieram antes, dos que realizaram, com muita coragem, discernimento e visão, a 1ª Exposição, dos que abriram caminho, mas também seguir-lhes as pegadas.
No caso, pelo menos, é possível ver na atual direção da Sociedade Rural do Paraná, promotora do evento, o mesmo espírito, idêntica disposição dos que começaram tudo. Esta Exposição abriu caminho para muitas outras, promoveu condições para o desenvolvimento da agropecuária paranaense, movimentou a economia, estimulou a produção.
É o grande evento de Londrina, exemplo do que se fez, do que se faz, do que se pode fazer por aqui, bastando apenas que haja vontade e disposição, coisas que não faltaram àqueles corajosos seres humanos que construíram esta metrópole, os sempre lembrados pioneiros.
Polícia
Não poucas pessoas vieram comentar comigo as cenas da violência policial mostradas pela Globo. Boa parte questionava a posição que assumi aqui, em defesa dos policiais na sua luta por melhores condições de vida.
Entendo que são precisamente aquelas imagens, e tantas outras que a gente já viu, e tantos fatos que todos conhecemos, que justificam a postura em defesa de uma atenção efetiva do governo, aqui como em São Paulo ou qualquer outro Estado, para a polícia.
Em 40 anos de jornalismo, não só vi mas já fui vítima da violência policial. Entretanto, é possível perceber que na base de tudo o que acontece está a falta de vontade oficial no sentido de melhorar a situação. Policiais sem a mínima preparação, sem condições, com salários ínfimos - esta é a realidade. Aí, a gente coloca estas pessoas sem qualquer entendimento sobre sua tarefa e lhes dá poder.
Não podemos aceitar a truculência policial, não podemos sequer admitir um tipo de ação tão flagrantemente ilegal. Todavia, temos é que exigir dos governos de Estado que atuem de modo mais sério no setor, que de fato se preocupem com a questão, que criem condições para que a carreira policial seja exercida por pessoas preparadas, competentes, esclarecidas. A polícia que temos é reflexo dos governos que existem, desinteressados, despreparados e sem visão para suas reais funções.
Universidade
Em uma coisa, nossos governantes são realmente democráticos: tratam mal, igualmente, a quase todos os que os servem. Tem a polícia, mal paga, pessimamente aparelhada; têm os professores universitários, igualmente, submetidos a um regime de trabalho absurdo. Em artigo recentemente publicado, o professor José Luiz da Silveira Baldy antecipa a morte da UEL, exatamente pela falta total de atenção do governo no sentido de garantir aos professores um salário digno. Baldy, com a vida dedicada à UEL, mostra até os valores dos vencimentos pagos, verdadeiramente inacreditáveis.
A consequência é simples: os professores estão se aposentando, quando podem, saindo para buscar melhores condições em outra parte. E não há muitos interessados em suprir as vagas. Estamos matando a escola porque não valorizamos o conhecimento.
E isto, sabe-se, não acontece apenas em nível superior, é um claro geral no ensino. Pagamos mal os professores, não estimulamos ninguém a estudar. Paralelamente, oferecemos também condições indignas para os policiais. No campo da saúde, apesar da CPMF, o panorama não é muito diferente. Assim, o que é que faz o governo se não garante educação, saúde ou segurança, fundamentos, mesmo, da vida social?
Em tal situação, é impossível pensar em crescimento, progresso, desenvolvimento. O que se tem é só um presente inseguro e um futuro nebuloso.
Basquete garantido





