Praça Londrina - Estelio Feldman
O Leão anda pegando duro nos contribuintes que atrasaram seus pagamentos. A Receita Federal, seguindo a lei (é bom destacar, porque isto explica, embora não justifique) cobra pesado de quem atrasa alguns dias com o Imposto de Renda. Se o atraso é maior, então, nem se fala.
Ora, a gente deveria observar que contribuinte em atraso, de modo geral, não é sonegador. Sonegador é aquele que foge, que mente, que não declara, que não paga. O contribuinte que atrasa pode ter (e quase sempre tem) muitas justificativas. E como a maioria é de assalariado, que não é exatamente um marajá, a mordida fica ainda mais dolorosa.
Inegavelmente, o ideal seria um procedimento diferente. O contribuinte merece respeito, mesmo que em mora (o termo que se usa para quem está devendo imposto ou outra coisa). E, se mostra o desejo de pagar, deveria ter facilitada a vida. Juros e multas são aceitáveis, mas não nos níveis usados pelo Fisco, em geral.
Se, como parece, a questão depende de leis, o Congresso deveria rever o assunto porque não estaria apenas ajudando o cidadão mas a própria Receita, no caso. Os juros atuais são escorchantes - para uma inflação de 10% ao ano é até abusivo cobrar mais de 50%, e isto não é cobrança, é tripudiar sobre o infeliz devedor. Pior é que o contribuinte em atraso corre o risco de ficar impossibilitado de movimentar contas especiais, nos bancos. Quer dizer, ainda fica em situação pior. Se houvesse leis que tornassem o Leão mais cordato, a Receita ganharia mais, receberia muitos atrasados.
Trânsito
No filme A Rede, a personagem principal, sequestrada em um carro, adota um curioso estratagema. Ao mesmo tempo em que alcança a direção do veículo e aperta o acelerador, arranca o cinto de segurança do seu captor. O carro bate, a mocinha sai ilesa, o bandido fica todo ferido (depois ele é morto pelos outros criminosos, mas isto só interessa a quem assistir ao filme, o que não é o caso).
O que interessa é o cinto de segurança. Não acredito que alguém vá usar a cena para divulgar o uso do cinto, mas penso que a idéia até que seria boa. Pois está aí a essência da questão: o cinto efetivamente reduz o risco para as pessoas, em acidentes. Até por inteligência (sem levar em conta que o uso é obrigatório, o que significa multas por sua não utilização) deve-se usá-lo.
O problema, porém, é que bom senso parece estar distante da cabeça de muitos motoristas, motoqueiros e até ciclistas. O que se vê de gente furando sinal vermelho é um absurdo. Podemos reclamar ou considerar que há excesso de semáforos nas ruas da Cidade. Mas isto não significa que se deva burlá-los. Quem o faz é irresponsável, transforma as ruas em palco de jogo em que a aposta pode ser a vida. E, por vezes, de inocentes.
É tão fácil diminuir os perigos nas ruas da Cidade. Usar o cinto, andar nos limites estabelecidos, obedecer à sinalização. No entanto, os irresponsáveis continuam a desconhecer tudo isto.
Panfletagem
Em Curitiba estão fazendo valer a lei que proíbe a distribuição de panfletos pelas ruas. Há, também, debates na Câmara local e propostas a respeito. Por aqui, ao que se saiba, ninguém está pretendendo mexer com isto. O que é bom.
As pessoas que distribuem panfletos pelas ruas estão trabalhando. Ganham pouco, mas para quem não tem outro tipo de atividade é um meio destinado a conseguir recursos para a dura sobrevivência. Tem muitos jovens fazendo isto, há também pessoas mais velhas. Pretender coibir isto, em nome da limpeza pública, por exemplo, é um absurdo.
Segundo a lei, em Londrina todos os panfletos têm o pedido no sentido de que não se os jogue no chão. E qualquer pessoa civilizada, seguramente, o fará. Mas, mesmo se o apelo não for atendido, penso que limpar as ruas é mais fácil do que fechar as portas para os que encontram nesta atividade um meio para enfrentar as agruras da vida.
Ademais, tenho observado que os menores pedintes estão voltando às ruas. Estão por toda parte, pedindo um trocadinho. O que é pior: receber um panfleto de alguém que tenta ganhar a vida sem pedir esmola ou ficar dando moedinhas para os pedintes? Creio que a resposta é óbvia.
Claro que distribuir panfletos não é profissão, o ganho é insignificante. Mas é também um meio honesto de resolver um problema imediato, com dignidade.
Estatística valiosa





