Praça Londrina - Estelio Feldman
A entrevista de página inteira do empresário Remo Veronesi, publicada na edição de domingo, constitui o desabafo de alguém que participou da grande batalha desenvolvida aqui, na época do pioneirismo, e que vê hoje uma situação diferente. Os irmãos Veronesi vieram para cá há 50 anos e, enquanto os agricultores plantavam café, eles plantaram prédios. Com a coragem dos legítimos pioneiros, ajudaram a construir o fenômeno que encantou o Brasil, esta Londrina tão cantada e decantada.
Remo Veronesi, apaixonado por Londrina, trouxe para cá o Programa Paraná-Europa e se lançou ao novo empreendimento com a mesma coragem da construção de prédios. E, se hoje manifesta seu desencanto, é porque ama esta terra, que também é sua, à qual deu muito trabalho, muita luta.
O empresário está certo no seu desencanto. Onde está a Londrina dos pioneiros, a Londrina dos que não esperavam dos outros mas construíam sua vida, com coragem que ia ao sacrifício? Hoje, as pessoas ficam reclamando do Governo, esperando do Governo, pedindo ajuda. Se os pioneiros tivessem esperado que o Governo construísse estradas, ainda estariam em Jataizinho.
Qem sabe o desabafo de Remo Veronesi desperte o pioneiro que parece adormecido para que Londrina volte a conquistar o lugar que já teve, há meio século. Ou então, vamos ficar vendo o progresso passar ao largo, enquanto nos lamentamos e ficamos pedindo que o Governo nos ajude.
Basquete
O Grêmio/Grande Londrina fez bonito no Brasileiro de Basquete. A derrota no play-off, contra o Franca/Cougar, pode ser considerada normal. O time ganhou a partida em casa (o que o Joinville, por exemplo, não conseguiu) e perdeu as duas fora, oferecendo grande resistência. Conseguiu ficar entre os 8, tendo vindo da divisão inferior. Na temporada regular, ganhou 11 jogos e perdeu outros tantos. Curiosamente, perdeu 3 jogos em casa e ganhou 3 lá fora. Um time de fibra com um técnico que merece respeito, admiração e apoio.
Agora as dúvidas: o time vai continuar a ter apoio? Precisa, claro. O trabalho desenvolvido até agora não pode parar. Ao contrário, deve continuar, a equipe é boa mas com reforços ficará melhor, há alguns jovens que devem crescer muito, ainda. A dúvida sempre fica, porém: o que vai acontecer em relação ao patrocínio? Se a Grande Londrina sair, quem assume? Claro, há muitas empresas que poderiam ocupar o espaço, levando em conta inclusive que a divulgação é fantástica.
É preciso manter esta base, de preferência com a continuação do técnico Ênio Vecchi, que além de competência mostrou amor ao time, vontade de trabalhar com a Cidade. Com a confiança na continuidade, as coisas poderão melhorar e muito. E Londrina, que já teve um basquete de respeito, pode conseguir melhores posições em nível nacional.
Torcida
Se o time de basquete merece aplauso, a torcida - ou pelo menos parte dela - ainda precisa aprender alguma coisa. O locutor da rede a cabo que transmitiu o jogo, quarta-feira passada, para todo o País elogiou o time mas foi taxativo ao dar nota zero à torcida.
E olhem que era lindo ver o Moringão com gente por todo lado e a torcida incentivando o time. Mas o lance que provocou a falta técnica não era necessário. Quase tirou a vitória do time. Tenho insistido em que a presença do público é importante. E a gente fica feliz quando sabe que Londrina ficou em quarto lugar, em relação ao público. Mas não pode haver violência, como já aconteceu, nem gestos que possam prejudicar a equipe e a própria Cidade. Porque, quando se diz que a torcida esteve mal, somos todos nós os citados.
É claro que não é fácil controlar a torcida. A polícia faz o que pode. Os próprios torcedores é que precisam fiscalizar os bagunceiros, evitando que façam bobagem.
Não chega a compensar, mas a torcida do Franca também ficou devendo. No primeiro jogo lá, fez tantas que também arrumou uma técnica contra o time da casa. Se eles são selvagens, porém, não é problema nosso. Se Londrina tiver, na próxima temporada, um bom time, como agora, a gente espera que tenha uma torcida ainda melhor. Vamos encher o Moringão, vamos apoiar, aplaudir e incentivar. Mas não vamos prejudicar o time.
Programação cultural





