Começa nesta quinta-feira a plena celebração da Semana Santa que, ao contrário do que se pensa, culmina no domingo e não na sexta-feira. Tudo o que ocorreu ao longo da trajetória de Jesus por este mundo foi uma preparação para estes dias, concluindo-se a Grande Lição de Cristo com a morte na cruz e a ressurreição.
Na quinta-feira, Jesus reuniu seus discípulos para a ceia de Páscoa, celebração com que os judeus marcavam - e ainda marcam - a libertação do Egito e dos séculos de escravidão. A ceia de Páscoa dos judeus é plena de simbolismos e, naquele dia, Jesus apresentou o Seu sacrifício e se ofereceu aos discípulos e a todos os seres humanos como o salvador que iria se dar à Morte para, depois, converter-se em Vida.
Na Ceia, Jesus tornou mais claras algumas coisas que havia dito antes e que provocaram espanto em muitos, principalmente quando se dizia alimento. Ao partir do pão e oferecer o vinho, Ele anunciou Sua presença permanente como vida para os que nEle acreditarem. E se é certo que também naquela hora os discípulos não O entenderam, foram os momentos da Ceia os que consubstanciaram a entrega do Cordeiro para a redenção da Humanidade.
Como já comentei há dias, a gente não festeja adequadamente a instauração da Eucaristia nesta quinta-feira por causa dos eventos posteriores. Entretanto, a relevância do Ministério da Quinta-feira da Semana Santa é fundamental na História da Salvação, antecipando a entrega dAquele que já havia dito que ‘‘ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos’’.


Ovo de Páscoa
Um leitor escreveu para a Folha comentando o modo como muita gente comemora a Páscoa, especialmente em relação aos famosos ovos de chocolate. Claro que na época não se comemorava desse modo a Páscoa. Mas a gente deve observar todo o sentido da data e a motivação da festa. Assim como se diz que o Natal foi, também, distorcido pela exploração comercial, é possível afirmar que os ovos de Páscoa saem do sentido da data. Mas, se observarmos de modo pleno o assunto, vamos ver que tudo o que se faça para festejar um evento de tal modo grandioso, como a Ressurreição de Jesus, ainda é pouco.
Vejam: toda a Semana Santa é uma preparação para o momento da doação de Jesus, que se entregou pelos seres humanos. Mas, como dizia o apóstolo Paulo, o grande sentido da época vem na Ressurreição. Não é coisa que aconteça todos os dias. Só há um registro na História da raça humana sobre isso e é precisamente o da Páscoa cristã. Há muitos milagres narrados na Bíblia, tanto no Velho quanto no Novo Testamento, mas só há uma Ressurreição. E, sem dúvida, em relação a este fato maravilhoso, talvez o maior simbolismo seja, mesmo, o do ovo, a vida que surge em si mesma. De qualquer modo, com ovos de chocolate, com cartões, com presentes, com foguetes, é lícito festejar o acontecimento que mudou a História do homem na Terra. O dia em que Deus mostrou que nem a morte nos separa do amor do Pai.


O presente
Nesta quinta-feira, especialmente na rememoração da Santa Ceia, é que fica bem evidente o sentido do presente que se consubstancia na entrega de Jesus. O presente não é uma coisa que alguém nos deu, mas é a doação pessoal. Jesus se entregou como oferenda para o resgate dos pecados. Talvez, para entender isto, melhor seria conhecer um pouco da própria tradição judaica relacionada com a Páscoa. Os judeus, na Noite da Páscoa, quando o faraó autorizou sua partida, sacrificaram um cordeiro. O sangue do cordeiro, nas portas das casas, serviu como sinal para que o Anjo da Morte pulasse (‘‘daí o nome da celebração, porque pular é ‘‘passoach’’, em hebraico) as casas dos judeus para ferir os primogênitos egípcios.
Ao longo dos tempos, a partir daquele dia, os judeus, ao celebrar a Páscoa, sacrificam um animal que recebe os pecados do povo e, com isto, purifica as pessoas. Então, na Páscoa cristã, Jesus Se entrega pessoalmente para, com Seu sacrifício, redimir a todos. Não há doação maior, não há sacrifício mais pleno do que se entregar para o resgate da humanidade.
E recebem a cada dia este presente, nas celebrações eucarísticas. Assim, nesta época em que a festa se mistura com a dor, a instituição da eucaristia seguida da prisão, suplício e morte, é importante ter em mente de modo mais pleno o Presente dAquele que se fez alimento para ficar entre nós até a consumação dos tempos.


A festa das luzes

mockup