O artigo publicado ontem na página de opinião, de autoria do presidente da Associação do Pessoal da Universidade Estadual de Londrina, José Trindade de Oliveira, é um alerta que não pode cair no vazio. A situação da UEL afeta não só os londrinenses, mas a todos, porque se trata de instituição que forma profissionais do País inteiro. E que se encontra em dificuldades, principalmente, pela falta de sensibilidade em relação ao mais importante patrimônio de um povo: a capacidade de sua gente.
O Brasil, de modo geral, paga o preço por não levar a educação a sério. Quando os judeus, pelo começo do século 10, começaram a voltar à Palestina, já pensando em criar ali um Estado Nacional, como primeira medida concreta para isso criaram a Universidade de Jerusalém. Não havia um país, nem sequer se podia sonhar com isto, mas a primeira pedra para o projeto nacional foi a educação. E qualquer país do mundo que leva a sério seus projetos de crescimento coloca a educação em primeiro lugar.
Já entre nós, não é assim. Não valorizam o ensino, não oferecem ao professor condições dignas de trabalho, tanto na base quanto no que se pode chamar de cúpula. E o que se vê é a situação denunciada pelo presidente da Apuel: os melhores cérebros da entidade estão indo embora. Já nem falam mais em greve, como se houvesse a percepção de que a falta de sensibilidade oficial é tamanha que não há alternativa. Permitir que a situação persista é um crime contra a própria cidadania. É preciso que se lute já para preservar nossa Universidade.


Religião
Está pegando fogo a questão do ensino de religião nas escolas do Estado. Não precisamente o ensino, mas a situação dos que lecionam o assunto. Segundo a nova lei de Diretrizes e Bases, recentemente sancionada, o Estado não vai arcar com as despesas do ensino religioso. Quer dizer, pode haver ensino mas não se paga ao professor. O ministro da Educação já apresentou projeto alterando a questão, com uma ressalva: o Estado pode pagar as despesas, ‘‘se o ensino não for tendencioso’’.
É bem complicada esta colocação do ministro. Talvez a idéia seja a de se manter um tipo de educação do tipo ecumênica. Mesmo assim, há que considerar a dificuldade em relação a alunos que professem, por exemplo, religião não cristã. Quer dizer, é difícil conciliar as coisas para apresentar um curso que leve em conta toda a multiplicidade de crenças, incluindo as muitas denominações cristãs, as religiões não cristãs, sem falar dos que dizem não professar religião nenhuma.
No meu tempo de criança - há meio século - o ensino de religião era parte do currículo, em todo o primeiro grau. Mas as aulas não eram obrigatórias para quem não fosse católico, já que a religião ensinada era aquela. As coisas parecem mudar, mas no fim as discussões são as mesmas. E se não houver cuidado, o tema pode criar muitos atritos, nas escolas e fora delas.


Oscar
Fiquei acordado até duas e meia da manhã de ontem, vendo a entrega do Oscar aos melhores filmes segundo o critério da Academia de Hollywood. Uma festa típica de Hollywood, com brilho, luzes e a natural exaltação ao cinema. E com um grande vencedor, o filme ‘O Paciente Inglês’ que, das 12 indicações, levou nove prêmios. Dos prêmios mais importantes, só não levou os de melhor ator e melhor atriz. Mas ficou com os prêmios máximos: melhor diretor e melhor filme.
Segundo o ator José Wilker, que comentava a premiação pelo canal de TV a cabo Telecine, ‘‘O Paciente inglês’’ é um filme para ser visto. Não, como observou, para ser revisto. Então, se você gosta de cinema ou se está curioso para saber por que é que aquele filme ganhou nove Oscars, a opção é simples. O filme está sendo exibido em Londrina, já faz tempo, no Cine Londrina, no centro da Cidade, em apenas duas sessões (pois o filme é longo, tem até um intervalo), às 14h30 e às 20h30. E hoje, quarta-feira, o preço do ingresso é o promocional, R$ 3,00. O filme está há algum tempo em exibição. Mas é provável que, devido aos Oscars, continue por mais algumas semanas.
Outro que ganhou o Oscar, o de música, e que também está em exibição entre nós, no Catuaí, é ‘Evita’. E vamos esperar que venham ‘Fargo’ e ‘Shine’ que abocanharam os prêmios de melhor atriz e melhor ator e que têm recebido excelentes comentários.


Tuberculose
Muitas vezes relembro os meus tempos de jovem e criança e não apenas porque tenha boa memória, mas até como comparação. Vejam por exemplo estas notícias sobre o ressurgimento da tuberculose no País, com o registro de novos casos, com gente morrendo em consequência de uma doença que já havia sido controlada. Lembro que todos nós, alunos do ginásio estadual Alexandre Gusmão, no Ipiranga, em São Paulo, tomamos BCG num posto que existia precisamente para prevenir a tuberculose, isso nos anos 50. O Brasil era, na época, um país mais pobre, mais atrasado, com enormes problemas. Mas havia preocupação séria em relação à saúde. No início desta década, o ex-presidente Fernando Collor determinou o fim da campanha nacional de combate à tuberculose. E a doença voltou com toda força.
Agora, o Governo Federal tem que começar tudo de novo. Haverá reforço de R$ 17 milhões para a campanha de combate à doença. Vamos ter que gastar mais para fazer o que poderia ter sido realizado, caso não houvesse a irresponsável suspensão do trabalho que se realizava há décadas.
Precisamos aprender de novo a lição: saúde é fundamental e tudo quanto se gaste para prevenir doença não é despesa, é investimento em benefício da população. É inadmissível que alguém seja acometido de algum mal que possa ser prevenido por vacinação. É incompreensível que as autoridades descuidem da saúde. O mínimo que os governos devem garantir ao povo é educação, segurança e saúde.

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