Praça Londrina - Estelio Feldman
Recebi da leitora Rosa Cristina Salgado um fax que me emocionou de tal modo que resolvi transcrevê-lo para que os leitores compartilhem deste sentimento:
Aconteceu um fato semana passada, em frente de casa, que fiquei a refletir sobre a maldade humana. E, caso encontrasse o autor da façanha, diria o seguinte:
Caro motorista: semana passada, mais precisamente no dia 11, você atropelou um cachorro na rua Maringá, próximo à rua Humaitá. Certamente, você estava com muita pressa e não deu tempo de frear ou desviar dele. Mas, deve ter olhado pelo retrovisor e viu que ele ficou gritando e se mexendo ou, melhor, se arrastando. E foi embora tranquilo. Acontece que nós pensamos que você iria voltar e esse cachorro ficou chorando alto uns 40 minutos. Penalizados, saimos e lá estava ela (era uma cadela), se arrastando para a calçada, tentando sobreviver. Chamamos um veterinário particular. A veterinária socorreu e levou-a. No dia seguinte, uma surpresa: ela estava esperando filhotes que morreram. E, hoje (dia 18) a veterinária ligou e disse que o animal teve de ser sacrificado apesar de todos os cuidados.
Mesmo com a sensação de que cumprimos nosso dever, ficou um vazio, o vazio deixado por uma cadela vira-lata que você atropelou. Vá com calma! Não corra!
Oscar
O londrinense não pode se queixar: os 3 mais premiados filmes com o Oscar, no domingo, estão em exibição aqui. Shakespeare Apaixonado, melhor filme, entre outros, está no Catuaí 3; Resgate do Soldado Ryan pode ser visto no Cine Londrina em horário especial, todos os dias, a partir das 19 horas; e A Vida é Bela, que nos levou o Oscar de melhor filme estrangeiro, está nos cines Londrina e Catuaí 2. De quebra, também está em cartaz o nosso Central do Brasil, o que oferece ao espectador a oportunidade de fazer a comparação para decidir por si se o filme brasileiro não levou o Oscar por méritos ou por trabalho do lobby.
O que é preciso insistir, porém, é que a não conquista do Oscar pelo filme ou pela nossa Fernanda Montenegro não altera em nada a realidade sobre os méritos do cinema nacional ou a capacidade de nossa atriz. Central do Brasil é um filme brasileiro que retrata algo de nossa realidade, que nos diz respeito muito de perto. Como cinema é uma obra muito bem feita. Mas enfrentava um desafio enorme diante de uma produção que concorreu até como melhor filme e que levou 3 Oscars.
O importante é a gente não perder a auto-estima e continuar prestigiando o cinema nacional.
Lâmpadas
O Ministério da Justiça abriu processo administrativo contra as indústrias que deixaram de fabricar lâmpadas incandescentes próprias para a tensão de 127 volts. Esta notícia, veiculada semana passada, traz de volta um tema muito sério relativo à economia ou, melhor, à exploração de que o consumidor brasileiro é vítima.
Não se encontra, atualmente, lâmpadas com tensão de 127 volts. A desculpa da indústria é a de que a lâmpada de 120 volts é mais clara. Alegação esfarrapada. A lâmpada de 127 volts dura muito mais e consome menos energia. Logo, para a indústria, o negócio é fabricar outra que dure menos, queime mais depressa, provoque mais despesa.
E a questão é mais séria do que alguns podem pensar. O ministro da Justiça revelou que o aumento no consumo decorrente desta atitude da indústria acaba por fazer perder o que se economizou com o horário de verão. O consumidor está pagando uma conta desnecessária. Demorou para que se anunciasse uma ação legal em defesa do consumidor neste particular. Mas, como a sabedoria popular diz, antes tarde do que nunca. O ministro da Justiça anunciou multa pesada para a indústria. Mais importante que isto será a volta das lâmpadas de 127 volts, para garantir economia.
Universo instável





