Semana passada, um leitor me procurou querendo saber o significado da pedra que está instalada no gramado diante da Secretaria Municipal da Cultura, com alguns estranhos caracteres. Há alguns anos, esta pedra foi tema de uma nota publicada aqui mesmo, na Folha. E na época já havia sido destacado que havia um erro fundamental ali. Até agora, porém, ninguém fez nada a respeito.
A pedra tem um dístico em hebraico, a língua usada pelo povo judeu. A primeira palavra, bem em cima, é o nome de uma das orações mais importantes do povo judeu: Ouve, em hebraico, ‘‘Xma’’. Mas a sequência da oração, que é uma frase de fé (ouve, Israel, o Senhor é nosso Deus, o Senhor é Único) não está citada na pedra. O que se escreve ali foi uma sequência da oração, uma ordenação a respeito das palavras iniciais.
Quer dizer, o que temos ali na frente da Secretaria da Cultura é uma prova da falta de Cultura. Se o objetivo era o de homenagear o povo judeu, o que sem dúvida é interessante, o mínimo a esperar era que a inscrição fosse correta.
Do modo que está é um erro e só serve para despertar a curiosidade de quem não sabe o que é e evidencia, para quem conhece o hebraico, ignorância. Sob o aspecto religioso, pode ser até considerado desrespeito aos judeus. Como o nosso prefeito é homem bastante religioso, é capaz de determinar que se corrija o erro ou que se retire a pedra.


Castro Alves
Esta semana se comemora o sesquicentenário de nascimento de Castro Alves, um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos. E antes que alguém reclame da palavra difícil, explico que sesquicentenário quer dizer 150 anos. Acho que os mais velhos aprenderam isto em 1972, que marcou os 150 anos de Independência brasileira.
E os 150 anos de Castro Alves serão comemorados aqui pela Academia de Ciências, Letras e Artes de Londrina. A Academia, que infelizmente é pouco divulgada, reúne pessoas interessadas precisamente nos assuntos destacados.
E não é, como muitos pensam, um local fechado, só permitido a alguns poucos privilegiados. Quem quiser, pode participar das reuniões, que são mensais e se realizam normalmente aos domingos pela manhã, na sala de reuniões do Hotel Bourbon.
Neste domingo, entre outros temas, será feita a homenagem a Castro Alves, com palestra do médico Fahed Daher. É uma rara oportunidade esta. Castro Alves, baiano, com uma vida muito curta, marcou de modo brilhante sua passagem entre nós. Chamado ‘‘Poeta da Abolição’’, deixou páginas de enorme beleza e sensibilidade, com forte crítica à escravidão. Mas sua obra foi muito mais extensa e bela. Conhecer Castro Alves é travar contato com um dos mais sensíveis poetas de nossa língua, em todos os tempos. É uma excelente oportunidade que a Academia Londrinense oferece a todos.


Insegurança
Em texto divulgado ontem, o proprietário da loja ‘A Francana’, foi informado que aquele estabelecimento, em 35 anos de existência, foi assaltado 18 vezes. Média de um assalto a cada dois anos. É demais. Mas, infelizmente, é a realidade para os londrinenses de modo geral.
A cada dia, há novas ocorrências. E aquele dado divulgado por este Caderno sobre o total de londrinenses que sofrem algum tipo de violência diz tudo: segundo aquele material, um de cada três londrinenses já foi vítima da violência.
Só esta semana tomei conhecimento de dois casos acontecidos com conhecidos. Uma senhora foi assaltada ao sair de sua casa, pela manhã. Reagiu e acabou violentamente agredida. E uma banca de jornais da Higienópolis acaba de ser ‘‘visitada’’ pelos famosos ‘‘amigos do alheio’’, com muitos prejuízos.
É uma situação inaceitável. E é consequência, entre outras coisas, da falta de vontade das autoridades, que têm a obrigação de prover a segurança da coletividade. Penso que esta é a razão maior para própria existência dos governos, numa sociedade civilizada. A pessoa que vai trabalhar ou passear, que está nas ruas ou em casa, que tem um estabelecimento comercial, precisa ter essa garantia mínima, sem o que tudo o mais se perde. Vamos esperar que esta série que a ‘Folha’ está iniciando sirva para dar algumas boas idéias às nossas autoridades.

Tradição e Gramática

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