Praça Londrina - Estelio Feldman
Parece que não acaba. Quase todo o dia a gente está cruzando com jovens sujos que param todo mundo, principalmente nos cruzamentos, pedindo dinheiro. É o famoso trote dos calouros, que prossegue na medida em que saem novas chamadas dos cursos superiores locais e regionais.
Tem havido muitas críticas em relação à prática. Mas, como disse um jovem, logo depois de ter sido troteado: No ano que vem, eu pego os calouros. Quer dizer, a coisa não pára porque a cada ano alguém quer descontar o que sofreu no ano anterior. Entretanto, talvez aí esteja um dos erros: o trote não deveria ser mau trato, sofrimento, abuso. Seria uma recepção alegre, com brincadeiras até, dos veteranos aos calouros, sem desrespeito, sem transformar o ato em um tipo de castigo inaceitável.
Em São Paulo, um calouro foi hospitalizado em coma alcoólico, por ter sido forçado a ingerir bebidas, no trote. Ele foi levado ao hospital pela namorada, porque os veteranos sumiram. Isto não é trote, é selvageria e os responsáveis não deviam estar num curso superior mas na cadeia. Ou, na melhor das hipóteses, teriam que ser levados a algum psiquiatra.
Este ano, felizmente, não se registrou por aqui (ainda) nenhum caso assim grave. Ao contrário, aumentou o total dos que preferem o trote cultural. E a presença dos jovens sujos pelas ruas, pedindo moedinhas, não chega a incomodar. Mantendo a civilidade e a alegria, eles são bem-vindos.
Insegurança
Se a coisa já anda ruim, com a polícia, imaginem sem ela! Pois é o que pode acontecer, conforme noticiário de ontem. Os policiais civis têm assembléia marcada para abril, ocasião em que podem decidir pela deflagração de greve. O movimento pode até ser antecipado, caso se resolva mudar a data da assembléia.
A reclamação dos policiais é procedente: seu ganho é muito baixo. E penso que é mais digna esta postura, ameaçando greve, do que a outra de tentar resolver o problema da falta de condições através de ações negativas, envolvendo suborno e corrupção.
O policial é aquele cidadão a quem se entrega nossa segurança e que é levado a pôr sua vida em perigo na defesa da sociedade. Mais que um trabalho, é até uma vocação. E o mínimo que a sociedade pode oferecer em troca é uma situação digna para a vida do policial, a segurança para sua família.
Do jeito que a coisa está, nada disto acontece. O que se tem é um profissional que é desprestigiado a partir do salário que lhe pagam. Uma situação terrível e que completa o quadro de insegurança em que a coletividade vive.
Temos que valorizar o trabalho dos nossos policiais, dar-lhes condições para exercer suas funções, pagar-lhes um salário que permita que propiciem a si e aos seus uma vida digna. Isto é o mínimo que uma sociedade civilizada deve oferecer a quem garante seu sossego, muitas vezes com o risco de sua própria vida.
Menores
A gente já tinha antecipado isto aqui: o Conselho Tutelar de Londrina teme que, com o corte na entrega de passes de ônibus para os menores, eles possam voltar às ruas. Na verdade, eles já estão voltando. Nos últimos tempos, eles estão por aí, nas esquinas, perto dos semáforos, pedindo alguma coisa. Um quadro antigo que se repete e preocupa.
O corte dos passes para 11 entidades que cuidam dos menores preocupa. Claro, é bom ver que as autoridades se preocupam e vejam se as entidades que estão recebendo ajuda cumprem sua parte. Mas será que as 11 entidades que vão deixar de receber passes de fato descumpriam seus objetivos? E cortar simplesmente o passe será a solução?
Precisamos ter sempre em mente que não é a Prefeitura quem paga os passes ou faz qualquer outra coisa. Quem paga a conta, sempre, somos nós, contribuintes. Ou a gente paga os passes, através da Prefeitura, ou dá moedinhas aos meninos pela rua, em toda parte. Penso que o primeiro modo é o melhor, inclusive porque desestimula a mendicância, primeiro passo para levar o menor a uma vida marginal.
Não sei se este tipo de economia feito com o corte dos passes para menores é o melhor modo de administrar o problema. Acredito que não. Pior é que, com isto, um enorme trabalho de conquista de confiança dos menores pode ser jogado fora rapidamente. E o prejuízo é das crianças e de todos nós
Trânsito maluco





