Praça é reduto de menores infratores e moradores exigem mais policiamento
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quarta-feira, 19 de agosto de 1998
James Alberti 
A rotina de assaltos e consumo de drogas chegou ao extremo na Praça Afonso Botelho, conhecida como Praça do Atlético, no bairro Água Verde, em Curitiba. Ontem, a comerciante Iara Tania Winters, proprietária da Livraria Fioravante, entregou ao secretário da Segurança Pública do Paraná, Rubens Abrahão Tanure, um abaixo-assinado por 800 moradores da região. No documento, pedem a retirada imediata dos menores e jovens que colocam em risco a vida de quem passa pelo local. Os moradores também querem policiamento constante na região.
O comandante do Policiamento da Capital, coronel Justino Henrique Sampaio Filho, disse que a PM tem agido muito constantemente na praça, mas os garotos que são detidos acabam sendo liberados porque cheirar cola não é crime. Sampaio Filho afirmou que é necessário um trabalho com diversas entidades para resolver o problema. O coronel descartou a hipótese de um posto policial, porque os acusados apenas seriam transferidos para outro local.
O documento também foi entregue ao Comando Geral da Polícia Militar (PM). No final da tarde de ontem, a PM deu resposta à exigência dos moradores. Numa blitz, com três viaturas e duas motos, os soldados revistaram suspeitos e procuraram drogas e armas nos jardins. Apesar da medida, a PM não prendeu nenhum suspeito.
O vendedor de redes Roberto Gonçalves, que trabalha há dez anos num dos cantos da praça, confirmou a afirmação de Sampaio. Ele disse que a polícia faz rondas frequentemente, mas que os menores e jovens delinquentes sempre voltam. Segundo ele, as pequenas muretas da praça são uma armadilha para os pedestres. Os menores se escondem atrás das muretas para assaltar as pessoas, afirmou.
Gonçalves disse que, como os assaltos, o uso de drogas também é frequente. Conforme ele, a maioria dos viciados estão usando solvente. Preciso urgentemente que este problema seja resolvido, para onde esses meninos serão levados eu não sei e tampouco me interessa, afirmaram os moradores no documento.
A gota dágua, segundo Iara Winters, ocorreu anteontem, quando a filha da comerciante teve que brigar com dois adolescentes que invadiram a livraria para roubar o dinheiro do caixa. O abaixo-assinado questiona a propaganda veiculada pelo governo que afirma que não existem crianças de rua em Curitiba e no Paraná. Será?, perguntam ironicamente os moradores.


