O chafariz da Praça Rocha Pombo, bem no centro de Londrina – entre a antiga estação ferroviária (hoje Museu Histórico Padre Carlos Weiss) e a antiga rodoviária (atual Museu de Artes de Londrina) – era um local onde famílias, com suas crianças levadas, costumavam parar. A praça, construída na década de 50 e batizada com o nome do historiador paranaense José Francisco da Rocha Pombo (1857/1933), era um espaço agradável por causa da tranquilidade. Para as crianças, os peixes ornamentais que viviam no tanque onde está instalado o chafariz era um espetáculo.
Nem o movimento dos ônibus que chegavam pela Avenida São Paulo e saíam pela Avenida Rio de Janeiro quebrava o encanto da praça, que se constituia como uma das primeiras visões ao turista que desembarcava em Londrina e a última de quem saía.
Mas com o passar dos anos o local começou a sofrer um processo estranho de deterioração. A rodoviária foi transferida e a ferroviária, que já não atendia passageiros, também mudou de endereço. E a praça, de lazer das famílias, passou a cumprir nova finalidade: ponto de prostituição, espaço para os conhecidos enganadores que tentam ganhar trocados de descuidados pedestres que ainda caem no jogo das três tampinhas e banheiro a céu aberto. Menores que vivem nas ruas costumam inclusive se lavar no tanque que abrigava os peixes ornamentais.
Hoje, o movimento de pessoas naquela região do centro da cidade continua intenso, por causa do terminal central de transportes coletivos. Mas as pessoas passam apressadas pelo local. Não há mais peixes, não resta tranquilidade. A praça é, no máximo, uma área de passagem e à noite, poucos se arriscam a atravessá-la. De dia, barracas de artesanato, bolsas, salgados e doces escondem a arquitetura da Rocha Pombo. Não há mais disposição para olhar a praça como uma área de lazer, apesar de nela ainda restarem árvores, sombras aconchegantes, algumas flores e um bom gramado, onde a presença de crianças correntes é só uma lembrança.

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