Marcos NegriniReformaPraça recebe reformas que antecedem uma ampla remodelação; hoje local é ponto de prostituição e reúne menores drogadosLocalizada no centro de Maringá, em frente ao Terminal Rodoviário, a Praça Raposo Tavares passa por mais uma reforma, antes de ser totalmente remodelada. Cerca de 40% da área da praça foi cercada com tapumes para o início da reforma do piso. A Raposo Tavares já foi considerada o cartão de visita da cidade. Hoje, porém, é o mais fiel retrato do abandono. O local é frequentado por prostitutas, travestis, idosos, artistas e menores drogados.
Segundo o secretário de Transportes, José Crisogno Carvalho, a reforma da Raposo Tavares é superficial. A idéia, explica ele, é melhorar um pouco as condições da praça para iniciar no ano que vem sua total remodelação. Ele explica que a prefeitura já está fazendo o projeto urbanístico e estrutural da nova Raposo Tavares. O projeto deverá ser apresentado na Câmara de Vereadores até o final deste ano.
A remodelação da praça divide as opiniões dos frequentadores. Alguns acham que a Raposo Tavares precisa de reforma, mas reivindicam, acima de tudo, mais policiais durante o dia. Outros acreditam que a ampla reforma da praça vai descaracterizar o local. Há os que torcem para que as mudanças possam torná-la novamente o cartão de visita da cidade.
Para o travesti Robson M.S., 19 anos, a Raposo Tavares é um local de encontro de pessoas marginalizadas pela sociedade. Frequentador assíduo da praça durante o dia, ele afirma que é ali que mantém contatos com os seus clientes da noite.
Mesmo quando não marca encontros com os clientes, Robson diz que gosta de ficar na Raposo Tavares de dia para conversar com as pessoas que passam pelo local. ‘‘Quando estou na praça muitas pessoas param para conversar comigo porque querem saber como vivo. São pessoas que gostam de saber como é o meu estilo de vida’’, assegura.
Robson é a favor da reforma da Raposo Tavares. ‘‘Mas não adianta o prefeito tentar tirar os travestis e prostitutas da praça, porque se isso acontecer a gente vai protestar’’, adverte.
Valquíria (nome fictício), 30 anos, afirma que com a transferência da rodoviária, o movimento na Raposo Tavares vai diminuir. Ela garante que não faz muitos programas diários, mas admite que a maioria dos seus clientes mantém contato com ela na praça. Valquíria é a favor da reforma, mas também se mostra contrária à idéia de tirar os travestis e prostitutas da Raposo Tavares.
Um grupo de idosos que também faz da Raposo Tavares um local de encontros é totalmente à favor da remodelação da praça. ‘‘A reforma já deveria ter sido feita há muito tempo, porque a praça perdeu o encanto que costumava ter no passado, quando as pessoas se reuniam para um gostoso bate-papo’’, diz Álvaro Camargo, 70 anos. Ele afirma que costuma frequentar a Raposo Tavares durante às tardes para rever os amigos, mas fica decepcionado com a presença das prostitutas.
‘‘Não sou contra ninguém, mas acho que é muito feio o que as prostitutas que frequentam a praça falam. Elas falam palavrões, xingam em voz alta e deixam as pessoas que passam pelo local constrangidas’’, reclama. Os idosos também denunciam a presença de menores que costumam ficar na Raposo Tavares e arrumam confusões com os demais frequentadores.

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