Praça da Quintino será revitalizada
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sexta-feira, 12 de setembro de 2014
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Londrina - Na praça entre as ruas Quintino Bocaiúva, Santos e Mossoró, na região central de Londrina, restou apenas o pedestal que sustentava o busto de bronze do médico Jonas de Faria Castro, pioneiro da cidade. A escultura sumiu e não há pistas do que poderia ter ocorrido com o objeto.
Sem respostas, ex-alunos do Ginásio Londrinense se uniram ao Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (Inesco) e ao Museu Histórico de Londrina para dar início a uma campanha pela revitalização da praça. A intenção é preservar árvores nativas e, principalmente, instalar um novo busto para reforçar a homenagem ao pioneiro.
O presidente do Inesco, João José de Campos, estima que seriam necessários R$ 50 mil para a reforma completa do espaço. Desse total, R$ 20 mil seriam gastos na nova escultura. As obras serão viabilizadas por meio de uma parceria entre empresários, comerciantes e a população. "Estamos lançando o Círculo de Apoiadores e Amigos do Centro de Documentação e Pesquisa sobre a Saúde Pública em Londrina Dalton Paranaguá. As doações poderão ser feitas através de um carnê. Nós pretendemos revitalizar todo aquele espaço, colocar a identificação de todas as árvores que existem naquela praça, inclusive de uma que é da espécie pau-brasil, e encomendar um novo busto", explicou Campos.
Jonas de Faria Castro era pernambucano e chegou a Londrina na década de 1930. O médico fundou um dos primeiros hospitais da cidade, a Clínica Médico-Cirúrgica, mais conhecida como "Hospitalzinho do Dr. Jonas". Ele também foi um dos responsáveis pela fundação do Ginásio Londrinense, uma das primeiras instituições de ensino de Londrina.
Aos 86 anos, a ex-aluna do Ginásio Londrinense Silvandira Ferraresi de Almeida contou que deseja apenas rever o busto no praça que leva o nome do médico. "A gente quer conservar essa memória, essa atenção e esse carinho pelo pioneiro. Ele era uma pessoa importante da cidade. É uma homenagem a ele e à Londrina", afirmou. A expectativa é de que a praça seja reinaugurada no dia 10 de dezembro, data em que Londrina comemora 80 anos.
Para preservar a memória do pioneiro, a família doou mais de 2 mil itens ao Museu Histórico entre objetos de trabalho, móveis, documentos, estudos e fotografias. "Nós pretendemos expor essa coleção em dezembro, durante o aniversário de Londrina. É uma variedade muito grande de itens que contam a história da saúde em Londrina nas décadas de 30, 40 e 50", ressaltou a curadora do museu, Regina Alegro.
REFORMA
Apesar do sumiço do busto, a praça Jonas de Faria Castro tem recebido mais atenção do poder público nos últimos meses. O gramado foi cortado recentemente, mas não há espaço de lazer para as crianças. A família da empresária Claudia Carvalho mantém há 22 anos um restaurante na Rua Quintino, em frente à praça. "Nunca abrimos à noite. Os clientes reclamam muito de mendigos que ficam por ali. Já tentei reunir os comerciantes para pagar a manutenção e fazer uma reforma, mas não deu certo. Agora, muitos concordaram em ajudar", afirmou.
Outro comerciante que preferiu não se identificar trabalha no local há 31 anos e também está disposto a colaborar. "Aqui já foi ponto de drogas e outras coisas. Esse busto mesmo foi derrubado duas vezes. Ninguém sabe onde foi parar. Se a praça for reformada vai ter mais espaço de lazer para as famílias daqui", contou.
Já a operadora de caixa Ana Cristina Fasano não concorda com a doação em dinheiro. "A reforma teria que ser feita com os impostos caros que a gente paga. É complicado pedir para que o povo desembolse mais. Eu acho justo colaborar de outra forma, com a manutenção, por exemplo", argumentou.


