Praça da Juventude é alvo de furto e vandalismo
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terça-feira, 13 de fevereiro de 2018
Simoni Saris<br>Reportagem Local 

As ações de vândalos e ladrões na Praça da Juventude na zona norte de Londrina prejudicam o andamento das atividades desenvolvidas no local. Alguns projetos tiveram que ser transferidos e outros funcionam precariamente em razão, principalmente, da falta de energia elétrica. Toda a fiação foi furtada. Desde que uma base da Guarda Municipal deixou de funcionar na praça, afirma a comunidade, os furtos e depredações tornaram-se mais comuns.
"Eu vejo sempre a molecada do skate por aqui e tem gente que vem para fumar maconha. À noite é um local perigoso e faz tempo que não vejo os guardas municipais por aqui", disse o aposentado Rafael da Silva. "A situação está assim por culpa do povo mesmo, os caras roubam tudo", completou o aposentado Nilson Prado.
Depois de mais de três anos de muitas paralisações e retomadas, a obra da Praça da Juventude foi concluída e inaugurada no início de 2014. O projeto previsto para custar R$ 1,9 milhão, consumiu R$ 2,2 milhões em recursos públicos, liberados pelo governo federal. No local, há quadra poliesportiva coberta, campo de futebol, quadra de vôlei de areia, pistas de caminhada e skate, além da estrutura administrativa onde também ficam as salas reservadas aos projetos.
Na estrutura da zona norte, a comunidade tem aulas de caminhada e corrida, ginástica e alongamento, futsal, condicionamento físico, tênis infantil, capoeira e balé para pessoas com deficiência.

A coordenadora do projeto Ballet de Cegos, Sabrina Rafaela Bueno Scapin, transferiu temporariamente as aulas para o centro comunitário do parque Ouro Verde (zona norte) para não deixar de atender os 18 alunos. O projeto existe desde 2014 e, nesses quatro anos, já passou por vários locais. "A Praça da Juventude era o local definitivo. Estávamos lá desde janeiro do ano passado, mas neste ano, desde quando as aulas começaram (em 3 de fevereiro), estamos no centro comunitário", disse Scapin. As aulas acontecem aos sábados pela manhã, mas a energia elétrica é imprescindível para que os alunos possam fazer as aulas com música.
Assim como o balé, as aulas de taekwondo também foram transferidas para uma igreja da região. Outros projetos, como o de futsal e ginástica, que não exigem iluminação, continuam acontecendo normalmente, segundo a FEL (Federação de Esportes de Londrina). Em alguns casos, os professores estão utilizando o próprio sistema de som nas aulas.
Além do furto da fiação elétrica, o espaço tem vários outros problemas, como infiltrações, banheiros em más condições de uso, vidros quebrados e pichações em toda parte.
'Não podemos ficar parados no local porque falta efetivo'
O presidente da FEL, Fernando Madureira, informou que o prejuízo na parte elétrica soma entre R$ 60 mil e R$ 80 mil e uma licitação deve ser criada para que se possa fazer os reparos. "Vamos apresentar à Secretaria Municipal de Obras todo o material necessário, o tipo e a quantidade. A falta de água é decorrente de um cano que foi rompido por ladrões que furtaram os fios, mas a tubulação já foi consertada", disse.
O que mais preocupa, segundo Madureira, é a questão da segurança. A FEL propôs providenciar a fiação elétrica para que a Guarda Municipal instale uma câmera conectada à central de monitoramento, que irá permitir o deslocamento rápido de uma equipe caso alguém entre no local para praticar furtos. "O que não dá é para a gente ficar colocando dinheiro público para consertar as coisas e, sem segurança, daqui a pouco alguém vai lá e furta de novo. Daqui a pouco vou ter que responder por improbidade administrativa. A gente tem que ter preocupação com o dinheiro público."
Madureira também propôs à Guarda Municipal criar grupos de defesa pessoal nas praças da juventude da zona norte e da zona sul e no Centro Esportivo Maria Cecília, também na zona norte, para ocupar mais o local. "Comprei tatames e a ideia é que o efetivo da guarda municipal utilize esses espaços para treinar defesa pessoal. Aí eles iriam mais à praça. A Guarda Municipal sinalizou positivamente."
NÚMERO INSUFICIENTE
Segundo o secretário municipal de Defesa Social interino, Luiz Carlos Menezes Deliberador, a Guarda Municipal tem um número insuficiente de agentes. A corporação conta com um efetivo de 40 guardas por turno, responsáveis pela vigilância de mais de 300 prédios públicos. "Fazemos ronda. Não podemos ficar parados no local porque falta efetivo", ressaltou.
Deliberador acredita que a instalação de câmera de segurança seria a melhor solução para tentar inibir os furtos na Praça da Juventude, mas reconheceu que o furto de fiação elétrica é um problema generalizado. "Não acontece só ali. Roubo de fiação está tendo geral. Já teve gente que foi presa por isso, mas foi solta na sequência por roubo de cabeamento. A Sercomtel sofre muito com isso também."
A Guarda Municipal, disse o secretário interino, dispões de cerca de seis câmeras em estoque e uma delas poderia ser instalada na Praça da Juventude na zona norte. "A FEL coloca à disposição os materiais e a gente instala a câmera, mas só podemos colocar uma no local porque temos poucas disponíveis."
Problemas também em outras unidades
Na Praça da Juventude da zona sul de Londrina, a situação é mais tranquila, mas o espaço também já foi alvo dos vândalos e sofre com a falta de manutenção. No local há vidros quebrados, infiltrações em locais onde a fiação elétrica está exposta e muita pichação. Os vestiários, próximos à quadra poliesportiva, não têm condições de uso.
Além desses espaços, há outros na cidade que carecem de maior atenção. No conjunto Maria Cecília (zona norte), a falta de segurança no centro esportivo prejudicou as atividades e interrompeu o atendimento à comunidade por várias vezes, mas a FEL (Fundação de Esportes de Londrina) acredita que algumas medidas já adotadas devem coibir a entrada de vândalos e ladrões no prédio.
"Erguemos o muro e colocamos a fiação para a instalação de câmeras. Sofremos muito no ano passado porque acabávamos de reformar e já invadiam novamente o local no final de semana. Agora estamos com a melhoria na segurança e depois vamos fazer as reformas na parte interna", explicou o presidente da FEL, Fernando Madureira.
No CEU (Centro de Artes e Esportes Unificados), na zona oeste, que também era constantemente depredado por vândalos, a FEL colocou dois estagiários de educação física e preparou duas salas para ginástica, além de criar no local um núcleo de dança. "Nossa intenção é aumentar o fluxo de pessoas para reduzir o vandalismo", disse Madureira.
Mas o maior problema no CEU é com a documentação. "A gestão do CEU está com a Assistência Social e não conseguimos transferir para a FEL porque o local não tem documentação desde que foi entregue. Nosso plano de ação está pronto, mas precisamos da documentação", destacou Madureira.
Outro espaço para o qual a FEL tem planos é o ginásio da antiga Alga (Associação Londrinense de Ginástica Artística). O barracão, no jardim Higienópolis, na região central, estava abandonado e foi destruído por um incêndio, em junho passado. A FEL encaminhou um projeto ao Ministério do Esporte para tentar conseguir recursos para reformar o espaço e transformá-lo em um centro de lutas.
"Em abril do ano passado eu fui a Brasília e tinha plano de retomar o ginásio para fazer um centro de lutas, mas quando voltei aconteceu o incêndio. Depois, quando estávamos em fase de captação de recursos para recuperar o ginásio, houve corte nos repasses. Agora, com a ajuda de deputados e um senador paranaense vamos tentar novamente liberar os recursos", explicou o presidente da FEL. O espaço está interditado pelo Corpo de Bombeiros.


