Londrina registra o 120º homicídio do ano. E isto já não causa tanto impacto como o anúncio de recordes de criminalidade que se anunciavam desde o começo de 2003. Simplesmente porque acabamos ficando acostumados com a crônica da violência. Dizem alguns, até, que a repetição de fatos violentos acaba anestesiando o cidadão que já começa a receber tais fatos com naturalidade. Por isto também é possível afirmar que a violência vicia. Estamos ficando acostumados. O violento crime ocorrido há dias, quando um gari foi executado em sua casa, sequer chega a provocar revolta.
Há quem responsabilize a TV por isto. Com tanta violência veiculada nos filmes, nas séries e no noticiário, o cidadão vai perdendo o senso de realidade e simplesmente aceita tais coisas como naturais. É discutível esta generalização. O que não se contesta é que, conforme se percebe em Londrina, vai havendo uma acomodação diante da violência. E isto é o pior que pode acontecer.
A partir do momento em que o cidadão passa a aceitar tais fatos, as coisas se tornam perigosas. A comunidade precisa reagir e exigir mais segurança para conter esta onda que ameaça afogar Londrina.


Armas
Dentro mesmo desta questão da violência, é possivel colocar o assunto das armas. O Congresso Nacional estuda a adoção de normas que limitem a comercialização delas, proibindo inclusive o porte para cidadãos comuns.
Sobre o assunto, é interessante observar o comentário feito pelo secretário geral das Nações Unidas, Kofi Annan. Ele revelou, em notícia divulgada esta semana, que 60 pessoas por hora, equivalente a meio milhão por ano e das quais 90% são mulheres e crianças, morrem por tiros de armas leves ou de pequeno calibre, em todo o mundo.
''É realmente uma praga mundial'', disse Annan em uma mensagem lida na abertura da primeira conferência encarregada de supervisionar o programa de ação da ONU contra as armas leves, adotado em julho de 2001.
Segundo um relatório publicado por ocasião desta conferência pela rede internacional de ação sobre armas leves (Iansa), que agrupa 500 ONGs, ''poucos governos fizeram avanços significativos'' na luta contra as armas.
A conferência durará toda a semana. As armas leves, segundo a definição da ONU, são as armas curtas, os fuzis, as carabinas e os fuzis de assalto.

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