Vontade de trabalhar
Resolvida a questão dos camelôs, a CMTU se volta, agora, para os artesãos que trabalham, principalmente, na Praça Marechal Floriano Peixoto. Há alguns anos, quando eles começaram a se instalar por lá e também diante da Biblioteca, esta Praça fez uma série de observações a respeito. Certo dia, um representante dos artesãos esteve aqui pedindo que a Praça fosse um pouco mais complacente e ponderando que a única coisa que eles queriam era trabalhar, expor suas mercadorias e sobreviver. A Praça parou de comentar o assunto e os artesãos ficaram em paz, até agora.
A quem os artesãos prejudicam, na praça? Afinal, neste momento difícil da vida, no Brasil, quando o emprego formal encolhe, inibir a atuação de quem apenas quer trabalhar parece desnecessário. Regulamentar, exigir que os artesãos provem sua condição, isto talvez seja aceitável. Pretender afastá-los da praça não parece a solução mais adequada para quem apenas busca um espaço a fim de sobreviver.
Uma leitora, aliás, comentando o assunto, veio perguntar sobre o tratamento diferenciado que se observa em relação a quem está se estabelecendo ali, na Praça Marechal Floriano: ''Estão preocupados com os artesãos, mas não ligam para as 'mariposas' que estão fazendo ponto por lá, 'caçando' fregueses para encontros rápidos''. Sem entrar no mérito da situação das profissionais que exercem a chamada ''mais antiga profissão do mundo'', é inegável que há certa procedência no comentário.
Os artesãos querem o que a maioria deseja: trabalhar. Se não se pode garantir a eles emprego formal, se estão tentando ganhar a vida honestamente, sem furtar, roubar ou agredir a quem quer que seja, por que agir contra eles como se fossem marginais?
A propósito, com o fim do camelódromo na Avenida São Paulo, os ambulantes voltaram ao local. E são, também, pessoas que apenas tentam sobreviver. Se estão em situação ilegal, o ideal seria que a autoridade municipal buscasse meios para dar legalidade à sua função. Perseguí-los, tomar o material que tentam vender, impedir que tentem ganhar a vida não parece a solução mais humana ou digna.
Nomes de rua
Um leitor veio comentar nomes de ruas da cidade, assinalando que considera bem colocada a nomenclatura no centro, com as artérias recebendo nomes de estados e cidades. Mas na periferia, em alguns bairros, há nomes que o cidadão sequer consegue pronunciar. Deu um exemplo: Avenida Winston Churchill. Boa parte dos moradores daquela rua nem sabe como dizer o nome dela.
Há uma outra coisa interessante a respeito: será difícil encontrar, entre os moradores da Avenida Winston Churchill, os que saibam quem foi o personagem homenageado na artéria. Seria bom, quem sabe, pensar no assunto, informando aos moradores sobre quem foram os que hoje dão nome às ruas da cidade.

mockup