PRAÇA
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de novembro de 2002
Estelio Feldman 
Ágio no tiquete
Muito irritada, dona Cássia, leitora e colaboradora constante desta Praça, ligou para reclamar da atitude de um supermercado em relação aos tiquetes- refeição. Conta que, como todos os meses, recebeu os tiquetes da empresa em que trabalha e resolveu fazer compras em um supermercado que jamais havia visitado. Sabendo que muitos estabelecimentos não aceitam o tiquete, ela tomou o cuidado de ligar antes para se informar. Tendo recebido resposta positiva, foi até ele (''que fica bem longe de minha casa'') e passou a fazer as compras. ''Só em tiquetes, estava com cerca de 200 reais. Mas a compra era maior do que isto, o que não me preocupou porque iria pagar a diferença em dinheiro'', contou ela.
Mas o problema começou no momento em que ia passar a compra pelo caixa. Por cautela, ela perguntou à funcionária se poderia pagar com o tiquete. Recebeu resposta positiva, com o alerta: o estabelecimento cobrava 7% do valor, como uma espécie de ágio. Dona Cássia não gostou, procurou o gerente que confirmou a informação. Revoltada, informou que havia feito consulta antecipada, por telefone, ocasião em que lhe disseram que recebiam o tiquete, sem dar qualquer indicação de que teria de pagar uma taxa. O gerente foi inflexível: eram normas da casa.
''Não tive dúvidas'' comentou a leitora ''deixei a compra no carrinho, à frente da caixa, e fui embora, ainda que tivesse vontade é de xingar todo mundo''.
Cartões
A leitora ainda contou que, em recente viagem, enfrentou experiência quase idêntica, só que com cartões de crédito. ''Fui fazer compras, entrei numa loja que indicava aceitar o cartão que eu portava e comecei a escolher mercadorias. Daí, fui advertida que as promoções não valiam no caso. Com cartão, o preço era diferente. Também ali, tive a mesma atitude: deixei a mercadoria e fui embora''.
Dona Cássia disse entender que os estabelecimentos comerciais têm despesas com cartões (e certamente com tiquetes). ''Mas, se aceitam as regras, devem agir dentro delas. Afinal, cartão, como tiquete, é recebimento garantido, até mais do que cheque'', completou.
Toda a reclamação da leitora é procedente e sua atitude é, inclusive, amparada pelo Código de Defesa do Consumidor. Se todos os consumidores agissem assim, não aceitando imposições abusivas, sem dúvida as coisas mudariam em favor de quem compra, que é o verdadeiro agente da economia.
Novela real
A leitora Nina Graça enviou uma reclamação com um verdadeiro roteiro novelístico, em 7 capítulos, envolvendo o drama das árvores da cidade que estão ameaçando casas, muros, veículos e gente. É tão boa que deu idéia para uma reportagem. Caso haja dificuldades para este tipo de divulgalção, a gente tenta resumir a novela, no espaço disponível, numa das próximas Praças.


