PRAÇA
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de setembro de 2002
Estélio Feldman 
A Feira-livre do centro
Na semana passada, publicamos notícia sobre um movimento visando tirar a feira-livre que funciona, duas vezes por semana, no centro da cidade (Avenida São Paulo, ruas Alagoas e Espírito Santo). Na nota, foi destacado inclusive o fato de que a feira funciona ali há 50 anos, o que representa uma verdadeira tradição, ainda mais em uma cidade com pouco menos de 70 anos de existência.
A propósito da questão, o sr. Paulo H. Hermann, morador no Condomínio Ambassador Residence, situado na Avenida São Paulo, enviou mensagem apresentando as razões dos que querem a mudança. ''O que os moradores querem'' assinala ''não é acabar com a feira mas algumas mudanças como a compactação ao redor dos muros do Cemitério São Pedro''. E, mais adiante: ''Aos domingos, poderia se fechar a Avenida Rio de Janeiro, que só tem dois prédios, ou a rua Professor João Cândido, que não tem nenhum edifício (isto na região em que se sugere seja instalada a feira). Seria mais tranquilo para os feirantes, clientes e, claro, para os moradores da região''.
Queixas
Na mensagem, o sr. Paulo lista uma série de queixas dos moradores da região em que a feira funciona. Eis algumas delas:
- Os feirantes chegam às 3 da manhã (alguns até antes), com o rádio ligado, gritando, jogando caixas de papelão e fazendo barulho para armar as barracas, acordando os moradores.
- Se algum automóvel estiver estacionado no local, os feirantes o arrastam, chutam os pneus e balançam até o alarme disparar ou então armam a barraca em cima, não deixando assim o dono retirá-lo.
- Uma ambulância não pode atender com rapidez a um doente pois não tem como passar ou estacionar. E, mais: como o Corpo de Bombeiros vai enfrentar um incêndio, em dia de feira?
- Eles deixam toda a sujeira em nossas calçadas, em plena luz do dia.
- Temos de sair de carro bem devagar, pois os clientes da feira não saem da frente e alguns ainda xingam.
- A feira desvaloriza os imóveis pois é difícil vender ou alugar por causa dos transtornos.
- É o único lugar da cidade que tem feira duas vezes por semana.
Tradição
A respeito do argumento segundo o qual a feira já representa uma tradição, o sr. Paulo faz dois reparos. Primeiro afirma que a feira não foi criada no local mas foi transferida da Praça 7 de Setembro, ''por causa do crescimento da cidade''. E lembra que, na época, só havia casas de madeira e que, atualmente, existem 18 prédios, ''fora o comércio, cujos clientes não podem estacionar''.
Por outro lado, lembra ainda que ''no passado, os ôniubus circulavam na Avenida Paraná e o terminal era no Bosque''. ''A cidade cresce, tudo evolui. Só não se pode mexer com os feirantes'', lamenta.


