PRAÇA
Feira em perigo
Uma leitora procurou a Praça, apavorada, anunciando que há ''pessoas poderosas querendo acabar com a feira-livre que funciona na área central, todas às quintas-feiras e domingos. A feira, que funciona na parte final da Avenida São Paulo, ocupando alguns quarteirões das ruas Espírito Santo e Alagoas, existe, segundo a leitora, há pelo menos 50 anos. Como quando cheguei a Londrina, em 1955, a feira já funcionava ali, tenho a certeza de que a leitora tem razão.
Antes mesmo de entrar na questão da tradição, é importante perceber o papel que a feira-livre representa não apenas para os feirantes mas para a população. Feiras-livres fazem parte da vida brasileira, em todas as cidades. Garantem para o consumidor produtos de melhor qualidade, a preços mais em conta. Embora se saiba que os feirantes, na maioria, não são produtores, é certo que eles representam um elo dos mais valiosos na escola econômica, reduzindo custos e garantindo melhor ganho para quem produz.
O anúncio de que há ''pessoas poderosas'' querendo acabar com a feira-livre do centro chega a ser assustadora. Vivemos, felizmente, em uma democracia, embora o Brasil ainda seja um país em que haja pessoas que gostem de se impor com o tradicional ''sabe com quem você está falando?''. Para enfrentar este tipo de ameaça, entretanto, há outra força, a dos cidadãos. Importa saber se a população quer que a feira continue ou prefere vê-la retirada do local.
Naturalmente, pode-se ponderar que os moradores na região que a feira cobre deveriam também opinar. Algumas, que conheço e que moram por lá, jamais vieram fazer qualquer reclamação para a Praça a respeito, nem do incômodo, nem do barulho e menos ainda da sujeira. De qualquer modo, o meio de se pensar a questão é através a audiência do povo em geral.
Tradição
Entretanto, vale rememorar e aí entra a tradição que uma feira que funciona há mais de 50 anos no mesmo local já faz parte da vida e da história da cidade. Londrina é um município novo, vai comemorar 68 anos de emancipação em dezembro, mas já tem história, memória e tradição. Vamos lembrar só do antigo Fórum, que se converteu em sede central da Biblioteca Pública Municipal, em campanha que contou com total apoio da Folha. Há, também, a antiga estação ferroviária (um primor de arquitetura) que é o Museu Histórico, outra iniciativa que teve o apoio da Folha. E não se pode esquecer da antiga rodoviária, que também se transformou em museu. Até mesmo uma campanha para evitar que o nome da tradicional Avenida Higienópolis fosse modificado, deve ser lembrada.
Preservar a tradição, cultivar a memória, tais são fatos que marcam a estatura e a civilidade de um povo. Investir contra ela, mesmo que na forma de uma feira-livre, é lutar contra algo de muito caro ao coração de quem tem sentimentos pela cidade.





