PRAÇA
Horário eleitoral
Começa na próxima semana (dia 20, terça-feira) o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão. Muita gente continua a abominar este espaço. Há pesquisas que indicam que nesta época aumenta o total das pessoas que contratam TV a cabo. Há também um elevado índice de redução no consumo de energia elétrica, o que supõe que rádios e televisores podem ser desligados no período. E tudo isto é negativo para o próprio cidadão que assim age.
O horário eleitoral gratuito no rádio e na TV é uma conquista democrática das mais importantes no esforço sempre necessário de evitar que o poderio econômico distorça a vontade do eleitor. Antes da existência de tais institutos, os candidatos só tinham acesso ao rádio e à TV se pudessem pagar pelas inserções do tipo comercial. Isto prejudicava os candidatos de menor poder financeiro que, sem poder levar seus nomes aos veículos de comunicação, tinham reduzidas as possibilidades de ser sequer reconhecidos pelos eleitores como candidatos.
Ao lado de outros institutos o que inclui, até, o fim das cédulas individuais , o horário eleitoral gratuito representou um avanço na medida em que permite que os partidos (e os candidatos) tenham acesso maior e sem ônus ao rádio e à TV, levando assim sua mensagem direta ao eleitor. Deixa de prevalecer o poder econômico, havendo maior possibilidade mesmo a quem tenha poucos recursos.
Todavia, isto só funciona se o eleitor-cidadão perceber a importância do instituto e se ligar nos programas que rádio e TV apresentam. Os programas não são perda de tempo nem surgem para prejudicar o ouvinte ou espectador, mudando os horários de suas atrações preferidas. Representam a grande possibilidade para o eleitor conhecer melhor os candidatos que, nos mais diferentes níveis, postulam sua confiança, o seu voto.
Todos nós, cidadãos, temos queixas de nossos governantes. Se a situação está difícil, se o país, o Estado ou o município, enfrentam crises, culpamos aqueles que nos governam. Raramente paramos para pensar numa realidade: os governantes, em todos os cargos eletivos, estão lá porque nós, eleitores, os colocamos ali. Se temos maus governantes, a responsabilidade é nossa, que os elegemos.
A hora certa de transformar as coisas, de mudar, de reformular, é a das eleições. Naturalmente, na democracia representativa como a que temos no Brasil, há outros momentos e meios de participar, de influir. O ideal seria a participação do eleitor nos partidos, porque é neles que se definem programas e que se escolhem aqueles que vão disputar o voto. Mas a maioria do eleitorado brasileiro não está nos partidos. Então, resta-lhe decidir no momento maior da democracia, o de votar. Para votar bem, é preciso conhecer os candidatos. E, entre tantas coisas, é para isto que existe o horário eleitoral gratuito.





