PRAÇA
Ainda os pedestres
A questão do comportamento dos pedestres, abordada ontem, mereceu comentário de outro leitor que fez questão de dar sua opinião. Para ele, o principal problema em Londrina não é dos pedestres e nem dos motoristas: é do poder público responsável que não estabeleceu ainda, embora o atual Código de Trânsito já esteja em vigor há tempos, uma política adequada, principalmente para os pedestres.
Para começar, nem há faixas de segurança na quase totalidade das ruas da cidade. O pedestre, que, conforme a lei, não pode atravessar a rua no meio do quarteirão, devendo fazê-lo nas esquinas, também não encontra em tais pontos nenhuma segurança. A sinalização vertical (aquela que é pintada no chão) apresenta apenas orientação para motoristas. Nas ruas com mão única e que não sejam preferenciais, há uma faixa simples para que os carros parem. Nas outras, nem isto. O pedestre fica por sua própria conta e risco.
Então, como assinalou o leitor, não se deve aceitar questionamentos que o culpem por sua atitude, por vezes temerária, nas ruas. Do mesmo modo, também não se pode responsabilizar apenas o motorista. Veja-se, por exemplo, o que acontece na rotatória que existe no fim da alameda Manoel Ribas: a sinalização é adequada e os motoristas param para que o pedestre passe.
O que há a fazer é reclamar do poder público que faça sua parte no sentido de oferecer maior segurança a todos quantos trafegam pelas ruas. Enquanto isto não acontece, vai continuar o ''salve-se quem puder'' e a briga entre os motorisados e os que andam a pé. Com prejuízo para os últimos que são mais fracos e, muitas vezes, acabam no hospital. Ou, na pior das hipóteses, no IML.
As calçadas perigosas
Também não se está observando nenhuma iniciativa efetiva visando mudar a situação das calçadas na cidade, tanto na área central como e principalmente pela periferia. No Calçadão, há grades soltas nos escoadouros de água de chuva, representando uma armadilha perigosa. E ninguém parece se preocupar com isto, até porque haverá sempre uma discussão sobre quem é o responsável por aquele calçamento: a prefeitura ou as lojas situadas no Calçadão? Ninguém assume a responsabilidade e quem acaba correndo o rísco é, como de costume, o pedestre.
O brasileiro não é, por natureza, um ser acostumado a procurar a Justiça para defender seus interesses. É verdade que nos últimos anos já houve uma importante mudança em relação a isto, com um aumento na percepção sobre os deveres e direitos da cidadania.
Todavia, há um outro obstáculo: se, consciente de seus direitos, o cidadão vai à Justiça, depara com a morosidade das ações. Muita gente fala abertamente que não procura a Justiça e nem mesmo a Polícia porque ''não adianta''. Como consequência, os cidadãos, pedestres ou motorizados, acabam sendo prejudicados em seus direitos mais simples.





