Praça
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 31 de julho de 2002
Estélio Feldman 
Praça
Crítica aos pedestres
A nota publicada terça-feira, em que um leitor-pedestre reclamou da falta de respeito de motoristas na passagem por faixas de segurança, recebeu forte crítica de outros dois leitores. Ambos procuraram a Praça para contestar, ao menos em parte, as afirmações contidas na referida nota, em que o reclamante dizia que os motoristas desrespeitam a faixa de segurança. O primeiro assinalou que, em seu entendimento, os pedestres, de modo quase geral, são mal educados, invadindo não só faixas de segurança mas as ruas em qualquer ponto. O outro, que ouvia as ponderações, foi mais enfático ao afirmar que ''os pedestres são muito mal educados''.
Naturalmente, é fácil perceber que se tem aqui visões diferentes conforme o ponto de vista de cada um. Para o pedestre, que afinal é o mais fraco, o motorista deveria ser mais atento e cuidadoso e respeitar o direito de quem está andando a pé. Já o motorista entende que quem tem de ter cuidado, exatamente por ser mais fraco, é o pedestre.
A lei que regulamenta o trânsito é muito boa, oferece garantias ao pedestre. Mas também estabelece penas para quem anda a pé e não obedece a ela, notadamente no caso de atravessar uma via pública. Acontece que se não há sequer guardas em número suficiente para vigiar os motoristas, seria muito exigir que houvesse vigilância sobre os pedestres.
No fim, fica tudo por conta mesmo de quem dirige e de quem anda. Se cada um tomar cuidado, se o motorista entender que tem certas obrigações apesar de estar motorizado, sem dúvida o trânsito será menos perigoso. E é bom recordar que tem crescido muito o total de acidentes envolvendo pedestres, coisa que pode ser evitada com algum cuidado a mais de parte a parte.
Pedágio na cidade
Um tribunal britânico apoiou ontem o plano do prefeito de Londres, Ken Livingstone, de cobrar cinco libras (7,5 euros) aos motoristas que queiram entrar no centro da cidade de carro. A prefeitura do bairro de Westminster levou o caso aos tribunais, por considerar que o projeto poderia causar mais tráfego de veículos nos arredores da cidade.
O prefeito londrino espera que com esta medida, prevista para ser colocada em prática em fevereiro de 2003, seja possível reduzir o tráfego de automóveis entre 10 e 15 por cento.
Livingstone disse ter feito as consultas apropriadas com advogados e especialistas em contaminação ambiental, antes de o projeto ser apresentado.
A cobrança da tarifa, que será feita de segunda a sexta-feira, das 7 horas até às 18h30, obrigará a população a utilizar mais o transporte público.
Se a moda pega em outros países dá para imaginar o que pode acontecer. Entretanto, uma coisa parece indiscutivel: em Londres como em qualquer parte do mundo, percebe-se a necessidade de conter o tráfego de veículos. Talvez cobrar pedágio seja um pouco demais. Mas outras idéias até que podem ser estudadas.


