Madrugada barulhenta


É provável que jamais tenha havido um dia de Santo Antônio (ainda mais na madrugada) tão barulhento quanto o de ontem. Lá pelas 3 da manhã começou o foguetório que continuou enquanto a seleção do Brasil ia fazendo gols. Com toda certeza, muitas das pessoas que optaram pelo sono (o que é natural no horário) acabaram despertando com os foguetes. Se quem acordou resolveu ligar a TV, pelo menos deve ter ficado menos irritado porque, apesar dos percalços, o time venceu. E houve até gols feitos por jogadores cujo nome não começa com a letra ‘‘R’’.
Nem mesmo durante as Olimpíadas da Austrália, que tinha disputas também durante a madrugada, se ouviu tanto foguetório por aqui e em outros pontos do país. Isto pelo menos reafirma que, apesar de todas as decepções, o Brasil continua a ser, mesmo, o país do futebol.
Curioso foi observar que, pelas 6 da manhã, o barulho acabou e a madrugada, ainda escura, parecia mais silenciosa que de hábito, dando oportunidade a que os torcedores (e os que foram acordados) pudessem voltar à cama a fim de se retemperar para um dia de trabalho ou estudo.
Que venham outras madrugadas ou manhãs barulhetas, com muitos foguetes e barulho até depois do dia de São Pedro, o que significará que o selecionado brasileiro alcançou o cobiçado caneco mundial de futebol, pela quinta vez.

A volta do El Niño

Os cientistas já previram que o El Niño, o fenômeno meteorológico que assolou a metade do planeta há cinco anos, está de volta. Seu aparecimento, no começo do ano, confirma as previsões que indicam que o fenômeno se desenvolverá até o final deste ano, trazendo chuvas torrenciais em alguns lugares e secas persistentes em outros.
‘‘As mudanças climatológicas nas regiões dos trópicos são características do El Niño (...) e indicam que isto continuará a se desenvolver em 2002’’, advertiu Vernon Kousky, meteorologista da NOAA, no boletim de junho da instituição. Entretanto, o El Niño, em sua versão 2002, se prenuncia mais benigno que o de 1997-98.
Sua volta pode causar este ano secas excepcionis e devastadores incêndios no norte de Austrália, Indonésia, Filipinas e norte do Brasil e, ao mesmo tempo, chuvas intensas e inundações na costa oeste da América do Sul ou Central, e do sul do Brasil ao centro da Argentina.
O ressurgimento do fenômeno provoca, sempre, preocupações e temores. O clima, aqui como em quase todo o mundo, já não se mostra tão normal como no passado. Às vésperas do inverno, enfrenta-se uma onda de calor na região. A possibilidade de fortes chuvas preocupa. De qualquer modo, é bom saber sobre o que pode ocorrer para que as administrações públicas, federais, estaduais e municipais, adotem medidas visando reduzir os efeitos de tal fenômeno.

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