Conserto caro


Revoltada, a senhora Cássia ligou para reclamar do ‘‘verdadeiro assalto’’ de que foi vítima em sua residência. Não, não se trata da já, infelizmente, costumeira violência urbana. O que aconteceu, segundo a leitora revelou, é que ela precisou chamar um encanador, com urgência, porque houve dois ‘‘pequenos problemas’’ no banheiro de sua casa. O profissional foi, rapidamente realizou o conserto e apresentou a conta: R$ 70,00. Para a leitora, um ‘‘assalto’’, até porque, como ela afirmou, o trabalho não levou mais de uma hora e o profissional ‘‘apenas’’ teve de substituir uma torneira e reparar uma válvula.
Não entendo muito de valores relativos ao trabalho de encanadores, eletricistas ou similares de modo que, de fato, não é fácil fazer um julgamento correto sobre se a senhora Cássia, que tem dado muitas contribuições à esta Praça, pagou demais pelo conserto domiciliar. Sei porém que a leitora infringiu uma norma fundamental na relação entre cliente e prestador de serviço: não pediu um orçamento prévio. A partir dai, quando recebeu o profissional, mostrou os problemas e determinou o reparo, ficou realmente em posição precária no momento da cobrança.
A norma sobre pedir, primeiro, um orçamento, é fundamental. Naturalmente, há empresas ou pessoas que cobram apenas pela visita. Há quem ofereça orçamento sem compromisso. Em qualquer caso, o cliente deve saber de ambas as questões, isto é, se há cobrança por visita ou se o orçamento pode ser feito sem qualquer pagamento. E, basicamente, deve pedir que o serviço seja orçado antes. Dai, no fim, não há problemas. Se porém não há esta medida cautelar, então o cliente acaba como dona Cássia: revoltado e tendo de pagar.
Em todo o episódio, pelo menos em uma coisa a leitora diz que está satisfeita: o serviço foi bem feito e o encanador deu garantia de três meses. Menos mal, pior se tivesse de pagar R$ 70,00 e, hoje ou amanhã, fosse obrigada a chamar outro profissional para consertar o conserto.

Filas nos bancos

‘‘A única mudança real nos bancos foi a do horário de atendimento. O drama das filas continua igual’’. Esse é o lamento do senhor Antônio, depois de passar longo tempo na fila de um dos bancos da cidade. ‘‘Há leis a respeito – o leitor citou – mas não são cumpridas, lembrando daquela afirmativa segundo a qual, no Brasil, há leis que pegam e leis que não pegam’’.
Verdade pura, ainda que pareça absurdo. Lei é lei. Entretanto, certas ordenações legais acabam não cumpridas por uma série de razões. No caso das filas de bancos, vai ser difícil encontrar alguém que depois de enfrentá-las queira, ainda, procurar algum órgão público para reclamar, até porque, como dizem muitos, ‘‘não adianta nada’’. E o usuário de bancos é quem sofre.

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