PRAÇA
Emprego discutível
Cena vista por um leitor no domingo, pelas 11 horas, no semáforo da esquina da Rua Gomes Carneiro com a Avenida Higienópolis: um menor pedia esmolas para os motoristas que esperavam o sinal abrir. Um PM se aproximou e sugeriu ao garoto que em vez de ficar pedindo esmolas ali fosse até o ginásio de esportes Moringão trabalhar como guardador de carros. Naquele dia e horário havia enorme movimento no Moringão.
Não é, exatamente, um emprego. Positivamente, qualquer coisa deve ser melhor do que pedir esmola. De qualquer modo, nos remete de novo à questão que está provocando polêmica sobre o status do guardador de carros que, para muitos motoristas, é apenas um disfarce para extorsão em locais que deveriam estar livres (e seguros) para estacionar os veículos. O fato de um policial mandar um pedinte cuidar de carros para ganhar dinheiro tem um simbolismo maior não porque fosse função dele evitar que o pedinte fizesse seu ponto em qualquer parte da cidade. Ao que se saiba, tirar menores pedintes das ruas deveria ser trabalho das entidades de assistência específicas.
Ao policial cabe garantir segurança, o que caberia bem pelas cercanias do Moringão, notadamente diante do grande movimento registrado ali no domingo. Fica mais fácil, porém, deixar as coisas sob a responsabilidade das dezenas de guardadores que lotearam o local e se impuseram aos que queriam passar um domingo diferente.
Ainda os pedintes
Ontem, havia um pediente (não um menor) fazendo ponto em outro movimentado cruzamento: o da Avenida JK com a Rua Pernambuco, também pelos lados do Moringão. Ficou de plantão pelo menos, segundo o mesmo leitor que narrou o caso do domingo, dois períodos: de manhã e à tarde. Não ameaçava ninguém, apenas ia de carro em carro parado pedindo um ajutório. Muita gente ignorava, mas há sempre alguns que entregam alguma moeda ou por verdadeiro sentido de solidariedade ou apenas para se livrar do incomodo. De qualquer modo que se encare, é uma situação constrangedora e que reclama atuação dos organismos de assistência social. Não se trata de tirar das ruas os pedintes para evitar que constranjam as pessoas, mas de evitar que esta prática se generalize e, principalmente, no sentido de buscar dar outros rumos às pessoas que precisam sobreviver mas devem ter preservada a dignidade.
Sem dúvida, como lembram alguns, esmolar pode dar muito mais dinheiro do que trabalhar. Algumas horas pedindo esmola em locais movimentados pode render bem mais que os R$ 200 reais mensais do salário mínimo vigente. É caso para fazer pensar aos responsáveis pela sociedade brasileira.





