Uma leitora, residente na área central, procurou a Praça para comentar que onde ela reside surgiram, recentemente, casos de câncer atingindo vários moradores. Ela lembrou que há algum tempo houve um forte debate sobre o eventual risco de irradiação provocado pelas antenas dos telefones celulares. Lembrou até de protestos contra a instalação de algumas delas. Depois, segundo comenta, o assunto parece ter caido no esquecimento sem que se chegasse a uma concliusão real.
Em verdade, é um tema candente, polêmico e muito complexo. Há muita irradiação no ar, e não só dos celulares. Se uma pessoa liga um receptor de rádio, de imediato sintoniza estações transmissoras. O mesmo ocorre com a TV. As ondas de rádio e TV não surgem na hora em que se ligam os aparelhos mas estão no ar. A questão é captá-las. E é possível, pelo menos, pensar que tais ondas podem de algum modo afetar pessoas ou animais. Há quem diga que a emissão da TV ligada, inclusive, é ameaçadora para os espectadores. E se a gente quiser ir ainda além, há os que afirmam que automóvel polui o ambiente até mesmo estando parado.
O que é inegavelmente certo é que estas dúvidas merecem aprofundamento. Tais questões reclamam estudos que possam tranquilizar ou esclarecer a população. A falta de discussão acaba levando à desinformação e aos boatos e crendices, tornando assim a situação ainda mais perniciosa. TV, rádio, celulares, eletricidade (e há também muitos temores em relação às linhas de transmissão) representam hoje necessidades vitais para a população. Ninguém há de pensar sequer em viver sem tais e tantos outros progressos da vida moderna. Todavia, há que se aprofundar a análise sobre eventuais perigos, o que inclusive permitiria a adoção de medidas de proteção em caso de eventuais ríscos. Fugir ao debate é, em certo sentido, adotar a famosa política do avestruz, aquele que esconde a cabeça na areia diante de algum perigo, o que não resolve o problema.

Aproveitando o lixo

mockup