Londrina está suja! A questão foi tema de reportagem da primeira página da edição de ontem deste caderno. Mas, na verdade, o assunto salta aos olhos. Por onde quer que a gente ande é possível ver sujeira e mato, no centro como nos bairros. Houve um tempo em que os londrinenses tinham até justificativa para isto. Era a terra vermelha, o barro, o pó que dominava por toda parte. Por mais que a pessoa quisesse ficar limpa ou limpar a casa, o pó se entranhava.
O tempo passou, hoje quase nem se ve a terra vermelha, o asfalto cobre boa parte da área urbana, não há mais aquela poeira que tomava conta de tudo. Todavia, a sujeira continua. E parece se tornar ainda maior em épocas de estiagem como a atual.
Para piorar há problemas na questão da coleta do lixo e da limpeza da cidade pelas autoridades competentes. Somando as coisas, a impressão é a de que não há muito a fazer a não ser pedir que chova ou esperar que as questões legais envolvidas com a licitação do lixo sejam resolvidas.
Entretanto, é possível fazer alguma coisa. Há imensas áreas públicas sujas e, sem dúvida, não é muito fácil limpá-las. Mas se cada um cuidar de seu pedaço, se houver um trabalho consciente, uma espécie de mutirão não declarado das donas e donos de casa, visando limpar a frente das residências, com cuidado para não deixar o lixo pela sarjeta e, de modo algum, jogá-lo nos bueiros, a gente começa a mudar isto.
É possível até pensar em alguma coisa maior, em certas áreas que estão realmente muitos sujas, no centro, como o Calçadão que chega a dar vergonha a qualquer londrinense. Lembrei que, em Salvador, há anualmente um mutirão para lavar a Igreja do Senhor do Bonfim, coisa linda. Sim, é uma expressão da cultura religiosa. Mas por que é que não se pode transpor isto para cá, propondo um mutirão para a limpeza do Calçadão? Se o local é palco de tantos acontecimentos, se aos sábados há sempre gente por lá promovendo alguma coisa, é possível pensar em uma coisa deste teor: juntar as pessoas, com vassouras e rodos, pedir água das lojas e fazer uma grande festa de limpeza.
Pode-se também pensar em outras áreas públicas, como o Zerão, as margens do Igapó, o Bosque. É bem mais fácil, sem dúvida, dizer que a responsabilidade é da prefeitura e virar o nariz diante da sujeira. É preciso pensar, porém, que somos nós que vivemos neste meio. Mais, ainda: qual é a impressão do visitante diante do quadro que a cidade está oferecendo? Se nossa cidade está suja, é preciso lembrar que ela é nossa casa comum. Vamos, sim, reclamar, exigir mesmo da autoridade que faça sua parte. Entretanto, talvez possamos fazer nós alguma coisa para tornar a cidade menos suja, mais atraente, lembrando sempre que ela é (ou deveria ser) a nossa paixão, o lar em que plantamos nossas raízes.

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