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Dois motivos levam, hoje, a relembrar a figura marcante do primeiro bispo e primeiro arcebispo de Londrina, Dom Geraldo Fernandes. É Sexta-feira Santa, um dos dias mais importante dentro do cristianismo, evocando a morte de Jesus, data que portanto traz à mente um dos momentos básicos do que a Igreja Católica proclama, e é 29 de março, dia em que, há 20 anos, Dom Geraldo se foi para a Casa do Pai.
A passagem de Dom Geraldo por Londrina foi mais marcante do que se possa pensar. Não foi, apenas, o responsável por uma nova Diocese, mas o Pastor que, efetivamente, se preocupava com cada um dos membros do rebanho, ao tempo em que se tornou, também, participe de tudo quanto se fazia em Londrina, visando o benefício da coletividade.
Desde 1957, quando assumiu a diocese (em 17 de fevereiro) até o fim de sua vida, em março de 1982, Dom Geraldo participou de modo pleno de toda a vida de Londrina. Poucos se lembram, por exemplo, que Dom Geraldo foi, durante muito tempo, professor de direito romano da Faculdade Estadual de Direito de Londrina, dando com isto uma contribuição fundamental para a formação daquele curso e propiciando a dezenas de estudantes a possibilidade de aprender com quem sabia (e tinha didática, também) as verdadeiras bases do direito. É válida a lembrança de tal participação porque indica que a preocupação do então bispo de Londrina atingia o interesse pleno da coletividade.
O exemplo acima, porém, é apenas um dentre tantos outros que podem ser citados. Como responsável pela Igreja católica, em Londrina, teve uma atuação incansável. Estava presente, igualmente, em todas as atividades ligadas aos problemas sociais, com plena preocupação sobre os mais carentes, independente de sua religião. Antes mesmo de João XXIII, o Papa que cultivou o ecumenismo, Dom Geraldo mantinha este tipo de postura de tal modo que tinha relações de respeito, amizade e cooperação com todas as denominações religiosas da Diocese. Gostava até de brincar contando que tinha sido dono de um terreiro de umbanda. Para os que estranhavam, explicava que o terreno onde se localiza atualmente uma Igreja, em Londrina, era, antes que a Diocese o adquirisse, um terreiro de umbanda (não digo onde é para não deixar ninguém preocupado). Sem maiores problemas, tornou-se a sede de mais uma das 42 paróquias criadas durante o seu episcopado.
Estélio Feldman





