Semáforo e segurança




O debate sobre a presença de semáforos em Londrina ganha uma nova dimensão com o comentário de um leitor que vincula o sinal luminoso aos problemas de segurança que a cidade (como de resto o País) está enfrentando. Ele pondera que existe um perigo real em parar nos semáforos à noite ou de madrugada. E conta que já tomou conhecimento de vários assaltos ocorridos precisamente quando o carro estava parado ali, esperando o sinal abrir, de madrugada. Citou um especificamente: uma pessoa foi assaltada, ficou sem o carro e levou um enorme susto na esquina da Paranaguá com JK, local que se pode considerar central. Parou com o sinal vermelho e foi confrontada com um marginal armado. Não discutiu e, talvez por isto, não engrossou a estatística das vítimas fatais em um latrocínio. Mas, hoje, não sabe se fura um sinal, com o risco de provocar um acidente, ou se pára, podendo ser novamente assaltado.
Esta é uma realidade que infelizmente estamos todos enfrentando. Em certos locais, aliás, durante determinado período da madrugada, o semáforo fica no amarelo, talvez para reduzir o rísco da citada situação. Mas a verdade é que esta não é a solução. O semáforo existe para dar mais segurança ao trânsito. Tirá-lo de funcionamento em certos horários (que, até pela redução do movimento, podem ser mais perigosos) não resolve o caso. Lembra um pouco a suspensão de funcionamento durante boa parte da noite dos antigos ‘‘bancos 24 horas’’, também por ‘‘segurança’’.
O que o cidadão, aqui como em qualquer parte, tem o direito de exigir é que haja segurança para ir a um banco 24 horas, em qualquer horário, assim como para transitar pela cidade, respeitando os sinais que existem para (aí sim) tornar o trânsito seguro. A partir do momento em que a gente comece a aceitar este tipo absurdo de alternativa, vai se reduzindo também a própria liberdade de viver. O cidadão não tem mais banco eletrônico a qualquer hora, deve evitar andar de carro (ou a pé) de madrugada, precisa se fechar em casa ou no apartamento para fugir dos marginais. As ruas passam a ser dos criminosos e as autoridades, obrigadas pela própria Constituição a prover a segurança, se desobrigam de suas funções, sem maiores consequências.
A consciência de cidadania exige que se mude isto e que se cobre permanentemente do Governo condições para uma vida menos insegura, no Paraná como em todo o País.
Estélio Feldman

mockup