Dia da Mulher




Foram necessários alguns milhares de anos para que a mulher chegasse, em alguns pontos do mundo, a ocupar o lugar que merece de direito desde os primórdios da criação. Vale lembrar a narrativa do livro de Genesis que enfatiza ‘‘homem e mulher, Ele os criou’’. Ambos detentores da mesma chama divina, de idêntica dignidade.
Esta situação, porém, não existiu senão após muita luta. E, em certos países, a mulher continua a ser cidadã de categoria inferior. As conquistas foram, e continuam a ser, difíceis, a luta continua. Mesmo hoje, quando se celebra (e também por isto) o Dia da Mulher, ainda se está longe do ideal. Pois o desejável seria que não fosse necessário um dia ou uma semana para se dar à mulher o seu lugar de direito na criação, partícipe, em condições iguais, com o homem de todo o processo.
Mais importante que as flores, as frases, as homenagens que se possa (e deva) prestar deve ser o reconhecimento de seu papel e de sua participação comum na vida e nas realizações humanas. É vital que o processo de reconhecimento e de valorização continue até o dia em que seja natural que as mulheres ocupem qualquer posição na vida social, política, econômica do país e do mundo. É fundamental que haja mais que o reconhecimento a percepção desta igualdade que começa no lar onde marido e mulher formam uma unidade sem prevalência do sexo masculino como coisa natural. Igualdade que continua em todos os campos até que chegue o dia em que homens e mulheres possam estar juntos, em condições de igualdade, na luta pela vida, dando cada qual sua contribuição ao aperfeiçoamento da sociedade humana.
O livro do Genesis destaca a preocupação de Deus que percebeu desde logo que ‘‘não é bom que o homem fique só’’. A criação do casal implica na união que, entretanto, por muitas razões – e talvez a força física tenha muito a ver com isto, nos primórdios – não foi igual. A mulher acabou colocada em posição secundária, tendo de lutar por séculos para mudar isto. O tempo que vivemos, pelo menos no Ocidente, é melhor: a igualdade que se busca (e que ainda não foi plenamente atingida) representa o ponto ideal a ser conquistado.
Neste 2002 da era cristã há uma realidade bem mais positiva do que há algumas décadas. E com a consciência que se adquire a cada dia da justeza da homenagem às mulheres cria-se também a esperança de que a relação entre os sexos vai continuar evoluindo até o ponto em que todos os dias sejam da mulher e do homem, do ser humano em toda sua plenitude e dignidade.
Estélio Feldman

mockup